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JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA / A vida, o amor e o dia de finados       

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA / A vida, o amor e o dia de finados       
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Esse dom incomparável chamado vida, que nos foi concedido de graça pelo Senhor do universo, tem suas facetas interessantes de alegrias, tristezas, decepções e vitórias, tudo fazendo parte de um projeto e de uma missão que viemos cumprir neste planeta chamado Terra, localizado na periferia da Via Láctea.

Essa mesma vida que nos concede o privilégio de conviver com pessoas, com as quais nos afeiçoamos tanto e que de repente nos deixam órfãos de sentimentos e presenças, é a mesma que nos dá oportunidades incontáveis de desvendar segredos que antes pareciam insolúveis, mas que com o tempo e a idade vemos que não eram tão complicados assim.

Podemos chorar, é claro, mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformismo e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram, causam sofrimento para os que apenas partiram antes de nós, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA É poeta, escritor e advogado

Mas para que essa visão se expanda e nos revele fatos que antes nos pareciam incompreensíveis, necessário que tenhamos o amor como escudo de vida. Pois só através do amor tudo podemos, tudo suportamos e tudo entendemos.

E é essa mesma vida que nos traz o hábito de visitar a morte, quando vamos ao cemitério como se ali fosse uma sala de visitas do além, costume que vem das mais remotas culturas, como uma forma de confundir o indivíduo com seu corpo. Há pessoas que no desespero da perda imposta pela morte física de um ente querido, o visitam diariamente, como num desejo de estar perto do familiar.

Católicos, budistas, evangélicos, muçulmanos, espíritas, somos todos espiritualistas e acreditamos na existência e sobrevivência do Espírito, e diante dessa evidência, é óbvio que o ser etéreo não reside no cemitério. Muitos dizem que perderam um familiar, algo que mostra falta de convicção na sobrevivência do Espírito. Quem admite que a vida continua, jamais afirma que perdeu alguém.

Quando dizemos “perdi um ente querido”, estamos registrando sérios prejuízos emocionais. Se afirmamos que ele partiu, haverá apenas o sentimento da saudade, abençoada saudade, nos mostrando que há amor em nosso coração, um sentimento que nos realiza como filhos de Deus. É natural que em datas como aniversário de nascimento, casamento, de morte, finados, natal e ano novo, dias dos pais, das mães, sempre lembremos deles, mas é necessário que essas lembranças sejam envolvidas em vibrações de carinho, evocando lembranças felizes, nunca infelizes; enviando clichês mentais otimistas; fazendo o bem em memória deles, porque nos vinculamos com os Espíritos através do pensamento. Além disso, orando por eles, realizando a CARIDADE em homenagem a eles e tudo isso chegará aos entes que se foram, como forma de contribuição para a felicidade plena; a prece dá-lhes paz, diminui-lhes a dor e anima-os para o reencontro futuro que nos aguarda.

Podemos chorar, é claro, mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformismo e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram, causam sofrimento para os que apenas partiram antes de nós, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus.

Espíritos com maior entendimento, pedem que usemos o dinheiro das flores em alimentos para os pobres. Portanto, usemos o bom senso nas homenagens que prestamos aos mortos, lembrando, sempre, que eles vivem, e se eles vivem, nós, também, viveremos. E é nessa certeza que devemos aproveitar integralmente o tempo que estivermos aqui na Terra, nos esforçando para oferecer o melhor de nós em favor da edificação humana. Só assim teremos um feliz retorno à pátria espiritual.

E disse o Mestre dos mestres para um homem: – Segue-me. Mas ele respondeu: – Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: – Deixai aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.

O Senhor chama a este para segui-lo, mas ele tem algo para resolver antes: o sepultamento do próprio pai. Ele diz: “Deixa que PRIMEIRO eu vá enterrar meu pai”. A resposta dá uma clara indicação de suas prioridades. Seguir a Jesus era a SEGUNDA coisa em sua vida. É claro que Deus quer que cada um cumpra com suas responsabilidades, mas neste contexto devemos ter em mente que Jesus quer trazer para fora de cada um o que está no coração. É sempre assim quando a Palavra de Deus atinge uma alma. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

A repreensão de Jesus mostra que os espiritualmente mortos devem se ocupar de sepultar os que estão fisicamente mortos, já que não são capacitados para pregar o reino de Deus.

Muitas vezes os cristãos perdem seu tempo fazendo tarefas que se fossem relegadas aos incrédulos, permitiria que tivessem mais tempo para se ocuparem com aquilo que realmente importa nesta vida: os assuntos de Deus e de consequência da vida eterna.

“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”


JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado. Membro fundador e titular da cadeira nº 12 da Academia de Letras de Dianópolis(Go/To), sua terra natal.
jc.povoa@uol.com.br


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