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LIVROS & CIA – Mãe narra o massacre de 11 pessoas em escola pelo filho de 15 anos

LIVROS & CIA – Mãe narra o massacre de 11 pessoas em escola pelo filho de 15 anos
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Precisamos falar sobre o Kevin

 Em 2007 a escritora estadunidense Lionel Shriver chocou o mundo com o livro Precisamos falar sobre o Kevin. Na obra, ela narra o massacre de 11 pessoas em um colégio perpetrado por seu filho de 15 anos. Entre as vítimas estão colegas de escola e familiares. Enquanto o adolescente cumpre pena, a vida da mãe, Eva, se esvai na culpa e na solidão. Tudo isso é narrado em forma de correspondência com o marido, que mesmo ausente é o único interlocutor capaz de entender a tragédia.

No cinema 

Precisamos falar sobre o Kevin foi adaptado para o cinema em 2012. Com uma e cinquenta minutos de duração, o longa é dirigido pela escritora e produtora cinematográfica escocesa Lynne Ramsay, que dirigiu também O lixo e o sonho, Morvern Callar e Você nunca esteve realmente aqui. O filme está disponível no YouTube neste link.

Mais vendidos

Ao contrário do que se imagina, as vendas dos clássicos nunca diminuem, pelo menos nas compras virtuais. Mês após mês eles estão entre os livros mais vendidos no site da Estante Virtual. Em fevereiro foi Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em março não foi diferente: Quarto de despejo – Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, foi a obra mais procurada do site. O livro narra o sofrimento de uma mulher negra e pobre, que vive à margem da sociedade.

Quarto de despejo

Quarto de despejo retrata o duro cotidiano de uma favelada. Na obra, uma mulher negra e pobre conta, de forma simples, o que viu e viveu. Escrito em primeira pessoa, o texto registra fatos políticos e sociais importantes do Brasil, entre 1955 e 1960. Vale a leitura por tratar-se de uma “viagem” por cinco anos da vida da personagem, que representa a voz dos excluídos da sociedade brasileira.

Outros clássicos

Na segunda colocação, no ranking da Estante Virtual, aparece O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, seguido de A ilha perdida, de Maria José Dupré, dois dos principais clássicos infanto-juvenis.

Para entender a ditadura

No momento em que, inacreditavelmente, se discute se houve ou não houve golpe militar no Brasil, uma boa sugestão para entender o assunto é o livro 1964: O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura militar no Brasil, de Jorge Ferreira e Ângela de Castro Gomes, dois dos maiores historiados da atualidade. Escrito numa linguagem simples e objetiva, os textos são voltados para o grande público, isto é, não se trata daqueles tratados cansativos, cheios de notas de rodapés.

O que você está lendo?

JJ Leandro – Jornalista e escritor. “A leitura é indispensável para mim que também escrevo. Intercalo leituras de três ou quatro livros, com assuntos diferentes para descansar a mente na transição de um a outro. Ou seja, da filosofia passo ao romance ou à poesia e vice-versa. O livro que finalizei por último a leitura foi ‘A canção de Solomon’, da escritora americana Toni Morrison. Importante romance que aborda com lirismo e alta qualidade literária assunto que o cânone literário relega ao esquecimento, sobretudo aqui na América: a história de homens e mulheres negros, desde quando foram escravizados até hoje numa sociedade que os discrimina. Recomendo a leitura”.

Vida de escritor

Na semana passada falamos aqui sobre o livro de poesia As Tocantinas, do escritor tocantinense Célio Pedreira, uma das obras literárias exigidas no vestibular 2019 da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Aproveitamos para fazer uma minientrevista com ele sobre a realidade da literatura no Estado e dos autores no Estado. Confira a seguir:

Livros & Cia – A que o senhor atribui a escolha desta obra para o vestibular da UFT?
Célio PedreiraA escolha é feita por membros da ATL Academia Tocantinense de Letras e sempre está ligada ao contexto da regionalidade da publicação

L&C – Qual é a realidade tocantinense para a literatura, para o autor tocantinense?C.P.Não sou favorável a alcunha de autor local ou regional. Como autor, escrevo sobre a canoa e o remo que uso, mas posso alcançar os rios de qualquer lugar. A realidade tocantinense para a literatura certamente é a mesma do país inteiro: poetas escrevendo diariamente e editoras publicando os já consagrados. Uma realidade quase secular.

L&C – E quanto à publicação e divulgação, estão mais fáceis?
C.P. – Está mais fácil divulgar e mais difícil publicar. O espaço na mídia é franco. 

L&C – E após a publicação, como vender? Seu livro está disponível em formato digital?
C.P.A poesia está disponível o tempo inteiro na vida, no Facebook e no Instagram dos poetas. O livro digital, infelizmente, serve somente para que o poeta não consiga sobreviver de poesia. Uma vez que é disponibilizada apenas uma cópia, todos já podem fazer quantas cópias quiserem (e inclusive vender sem a autorização do autor). Não existe critérios sérios e seguros que protejam a produção digital, infelizmente.

L&C – Qual sua visão sobre o momento atual, em relação à leitura no país?
C.P.Acho que estamos lendo muito mais, no entanto, a qualidade da nossa leitura está pífia. Levamos um tempo fabuloso lendo sobre o caos e sobre brigas, sobre extermínios e acidentes, sobre a bizarra vida instalada nesses trópicos. Ainda assim a poesia nos salva diariamente com um simples ‘Bom dia’!


 

RUBENS GONÇALVES
É jornalista no Tocantins
rubensgoncalvessilva@gmail.com


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