Caros eleitores,
Entramos em momentos decisivos para a configuração das eleições de 2026. Agora mesmo é uma das fases mais tensas, a de disputa partidária, que antecede, em muito, a do voto. Assim, a primeira briga visceral de uma campanha é pela legenda em que o pré-candidato vai se abrigar para tentar o mandato ou renová-lo.
Por isso, estamos assistindo a ex-prefeita Cinthia Ribeiro na trincheira da resistência para não entregar o comando do PSDB para o deputado federal Vicentinho Júnior, de saída do Progressistas e em busca de consolidar sua intenção de concorrer ao governo do Tocantins. Claro, como tenho defendido, esse é um debate que precisa ser feito com uma calculadora na mão, não com o coração, e com a noção de como funciona a política.
Sem voto em plenário na Câmara é difícil se segurar na presidência de uma sigla, quando a todas as direções nacionais só interessa aumentar sua participação no bolo do fundo partidário. Como ensinou o saudoso senador João Ribeiro, do qual Cinthia é viúva, político sem mandato é abelha sem ferrão.
O deputado estadual Eduardo do Dertins, que está no Cidadania, perdeu o controle que tinha sobre outra legenda, o PRD. Todos diziam que era ele quem comandava, mesmo sem pertencer a ela. Agora está bloqueado na base do Palácio, dizem, por flertar com o então governador em exercício Laurez Moreira. Dessa forma, isso pode ter contribuído para que o PRD lhe fosse tirado. O governador Wanderlei Barbosa recebeu o presidente nacional, Marcus Vinícius Ferreira de Vasconcelos, o Neskau, e a liderança absoluta desse partido no Tocantins se consolidou com o vereador de Palmas Walter Viana.
O deputado federal Carlos Gaguim, hoje no União Brasil, é aguardado no Republicanos para ser candidato a senador, já que a sigla está perdendo um player com absolutas chances de vitória para esse cargo, o governador Wanderlei Barbosa. Como vai apoiar a pré-candidata palaciana à sucessão, a senadora Dorinha Seabra Rezende, o Republicanos quer ser compensado com a possibilidade de manter a cadeira que tinha como certa no Senado. Daí as apostas em Gaguim.
Há muito problema pela frente nessa dança das cadeiras. As maiores dificuldades serão enfrentadas pelos deputados estaduais, personas non grata por todos os pré-candidatos sem mandato. O quadro mudou. No passado, quando havia coligações, eles eram importantes para o grupo conseguir várias cadeiras na Assembleia. Sempre recebidos com festa e rufar de tambores pelos partidos. Agora, sem coligação, são rejeitados por quase todos. No geral, a avaliação é de que ser candidato estreante com um mandatário como concorrente é apenas servir de “escadinha” para que o coeficiente seja atingido e os “bacanas” consigam a reeleição.
Os debutantes preferem iniciar sua árdua luta eleitoral com nomes de competitividade parecida para que todos tenham chance e o mais competente seja premiado com um mandato. Não quem já distribui emendas parlamentares por todo o Estado e passa quatro anos fazendo campanha com recursos do contribuintes. Assim, nessa janela partidária, os deputados que precisarem mudar de partido terão problemas.
Essa é a fase que vivemos da pré-campanha, a da guerra por partidos. Quem conseguir se sentar numa cadeira que lhe seja confortável terá vencido o primeiro desafio rumo ao mandato. Uma má escolha agora ou ficar com o que sobrar podem significar uma derrota eleitoral assegurada para outubro.
Saudações democráticas,
CT
















