Trump autorizou operações da CIA em outubro de 2025 e intensificou bloqueios navais e sanções, culminando na operação militar que capturou Maduro e sua esposa.
Ele prometeu envolvimento “muito forte” para promover “liberdade” na Venezuela, justificando ações como combate ao narcoterrorismo do “Cartel dos Sóis”.
A administração Trump alega que Maduro liderava tráfico de drogas para os EUA, com recompensas de US$ 50 milhões por sua captura.
1- Implicações para Soberania
A ação dos EUA é vista por críticos como violação da soberania venezuelana, sem mandato da ONU ou OEA, ecoando intervenções passadas como no Panamá.
Líderes como Lula (Brasil), Irã e Rússia condenaram o ataque como “agressão” e “afronta à Carta da ONU”, exigindo resposta multilateral.
Cuba chamou de “terrorismo de Estado”.
2- Maiores reservas de petróleo do mundo
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo (cerca de 300 bilhões de barris), principalmente óleo pesado da Faixa do Orinoco, compatível com refinarias dos EUA no Golfo do México.
Críticos acusam os EUA de cobiça por esse recurso para reduzir preços internos de combustível, abrir mercados a empresas americanas e contrabalançar influência chinesa e russa nas exportações venezuelanas.
3- Narrativa de Cobiça
Governos como o de Maduro alegam que a intervenção de Trump visa “se apoderar” do petróleo, usando pretextos como narcotráfico para acessar riquezas minerais e gás natural também vastos.
Analistas apontam negociações secretas por óleo e tarifas de 25% em compradores de petróleo venezuelano, beneficiando economia dos EUA.
Lula e outros líderes regionais veem nisso Doutrina Monroe moderna, priorizando recursos sobre soberania.
Acreditar que os EUA invadiram a Venezuela e sequestraram o seu presidente por causa da ditadura de Maduro, para democratizar o país ou para combater o narcotráfico é acreditar que o “tarifaço”ao Brasil foi para defender Bolsonaro!
4- Direito Internacional
O Direito Internacional proíbe uso da força contra soberania estatal sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Art. 2 (4) da Carta da ONU), exceto em autodefesa comprovada. Analistas apontam ausência de base legal para a intervenção, que ignora princípios de não-intervenção da OEA e tratados regionais, apesar de sanções prévias por violações de direitos humanos em relatórios da ONU.
5- Ambição Antiga
Donald Trump em junho de 2023, durante um comício em North Carolina, logo após sua primeira aparição pública após uma acusação federal. Nela, ele sugeriu que, se reeleito em 2020, os EUA teriam intervindo para controlar a Venezuela e suas reservas de petróleo, criticando a administração Biden por supostamente enriquecer o regime de Maduro com compras de óleo. É um projeto antigo do Trump posto em prática hoje!
6- O que vai acontecer ?
A transição de poder na Venezuela segue agora a Constituição local, com vice-presidente assumindo, mas sob influência externa dos EUA, uma espécie de colônia dos americanos.
JOÃO PORTELINHA DA SILVA
É professor titular da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e pós-doutorado pela Universidade de Coimbra.
















