Colegas professoras e professores,
Escrevo a vocês com o coração cheio de respeito e esperança. Respeito, pela história de luta que cada um carrega em defesa da educação pública tocantinense. Esperança, porque acredito que, mesmo diante de tantas adversidades, é possível garantir a valorização da nossa profissão como política de Estado, e não como moeda de governo.
Foram 14 anos sem atualização da carreira, até que, juntos, levantamos essa bandeira. Chamamos o Sindicato para a mesa de negociação, percorremos as 13 Regionais de Ensino, ouvimos mais de 3 mil professores em plenárias. Desses encontros nasceu uma proposta sólida, sustentável, validada pela classe, pelo Sindicato e pelas áreas técnicas do Estado. Quando deixei a Seduc, essa proposta encontrava-se na Casa Civil aguardando a publicação do enquadramento financeiro do Estado para, em seguida, ser enviada à Assembleia Legislativa e aprovada, com efeito financeiro retroativo para setembro! No entanto, com a mudança de governo, o processo foi interrompido, colocando em risco uma conquista que pertence a todos os educadores.
Alguns criticam o tempo que levou a elaboração da proposta. Mas quem compreende a complexidade de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração sabe que não se trata de algo simples. É uma tarefa técnica e política, que envolve não apenas a Secretaria da Educação, mas Planejamento, Administração, Procuradoria, Casa Civil e até o Instituto Previdenciário. É um trabalho minucioso, que exige responsabilidade para não gerar falsas promessas e nem comprometer o futuro. É a construção de um caminho sólido, que exige paciência, diálogo e coragem.
Nessa jornada, enfrentei intrigas, críticas, ofensas pessoais e até o chamado “fogo amigo”. Mas não recuei. Não desisti. E não desistirei, porque antes de ser secretário, eu sou professor. Conheço a sala de aula, sei da estagnação da carreira e da angústia que ela gera. Sei que não é apenas o salário que pesa: é a falta de horizonte, a falta de perspectiva, a sensação de que o tempo passa e o reconhecimento não chega.
Em nossa gestão, fizemos da valorização profissional uma prioridade inegociável, um dos oito pilares do Programa de Fortalecimento da Educação (PROFE) — iniciativa inovadora e estratégica, planejada para impactar a educação tocantinense de 2023 a 2027.
Pela primeira vez na história do Estado, a educação passou a contar com uma política estruturante, amparada pela Lei nº 4.220/2023, aprovada pela Assembleia Legislativa, que estabelece avanços de curto, médio e longo prazo. Foi a partir do PROFE que realizamos o maior concurso público da história da rede, com posse para mais de 4 mil novos professores, quitamos todos os direitos e mais de R$ 300 milhões em passivos, reformamos escolas, entregamos notebooks a todos os professores e garantimos 36% de aumento salarial em três anos e tantas outras ações, que nem cabe enumerar aqui.
Essas conquistas foram passos firmes, mas sabíamos que ainda faltava consolidar o maior pilar: uma carreira justa, moderna e sustentável. O novo PCCR é essa peça-chave. Ele não apenas corrige distorções históricas, como também projeta o Tocantins para o futuro, colocando nossa carreira docente entre as mais atrativas do Brasil.
A descontinuidade desse processo não é apenas burocrática. Ela gera instabilidade emocional e financeira para milhares de professores que aguardam com esperança a consolidação de um direito legítimo. A incerteza compromete o planejamento de vida, abala a autoestima e corrói a motivação. Mas não podemos deixar que o desânimo vença.
A valorização profissional não é um privilégio, é um sonho possível. É o sonho de ter uma carreira que dê orgulho, que permita ao professor se dedicar ao que ama sem precisar buscar outro vínculo para sobreviver. É o sonho de cada criança tocantinense ter diante de si um professor motivado, valorizado e respeitado. É o sonho de um Tocantins que acredita que educação é a maior herança que se pode deixar para as futuras gerações.
Faço aqui um apelo: que o novo PCCR seja retomado, encaminhado à Assembleia Legislativa e transformado em lei.
A valorização profissional não é um privilégio, é um sonho possível, não deixemos esse sonho morrer. Que a proposta do PCCR seja retomada, encaminhada à Assembleia Legislativa e transformada em lei. Esse é um passo que ultrapassa governos, é um compromisso com a história e com o futuro.
Além disso, diante de tantas incertezas, é hora de mostrarmos, mais uma vez, a força da nossa classe. A Prova Saeb está chegando, e esse é um momento importante. Cada bom resultado é uma mensagem clara à sociedade que, mesmo diante das dificuldades, os professores tocantinenses seguem firmes, comprometidos e determinados a ensinar com excelência.
Quando a escola vai bem, o professor é ouvido. Quando o resultado aparece, a luta ganha voz e quando o Tocantins se destaca, todos enxergam que o coração dessa conquista está em cada sala de aula.
Por fim, sigamos juntos, porque a educação tocantinense não pode ser escrita pela descontinuidade, mas pela coragem de sonhar alto e de transformar esse sonho em realidade.
Com amor pela educação, fé no futuro e respeito por cada professor e professora,
FÁBIO VAZ
É professor e ex-secretário de Estado da Educação do Tocantins















