O agronegócio brasileiro é, sem dúvida, um dos grandes motores da nossa economia. Representando cerca de 22% do PIB nacional em 2024, o setor é responsável por garantir o abastecimento interno e posicionar o Brasil como líder global na produção de alimentos e commodities. Somos referência na soja, na cana-de-açúcar, no café e na laranja, além de ocuparmos a vice-liderança mundial na produção de carne bovina e de frango.
Em 2024, ultrapassamos os Estados Unidos em exportação agropecuária, alcançando um saldo de US$ 14,4 bilhões a mais do que os norte-americanos. Mas se por um lado celebramos o crescimento de 2,7% nos primeiros dez meses de 2024, o melhor desempenho desde 2010, por outro, sabemos que não podemos descansar. A imprevisibilidade climática, os custos elevados de produção, a burocracia e a infraestrutura precária são problemas que ainda travam o avanço do setor.
O fenômeno La Niña, previsto para persistir até abril de 2025, traz desafios para a safra, com chuvas excessivas no Norte e Nordeste e estiagens prolongadas no Centro-Sul. Esse desequilíbrio impacta a produtividade e exige um planejamento eficiente dos produtores.
Além disso, a alta nos preços dos insumos, como fertilizantes e defensivos, tem afetado a rentabilidade do produtor rural. Enquanto a demanda global por soja e milho continua aquecida, a volatilidade do mercado e as oscilações cambiais tornam o cenário ainda mais desafiador. O acesso ao crédito agrícola é outro ponto crucial: sem financiamento adequado, pequenos e médios produtores têm dificuldades para expandir e modernizar suas operações.
Outro fator preocupante é o aumento da taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano, o que pode frustrar os planos do governo de ampliar o Plano Safra 2025/26. Embora tanto o Ministério da Fazenda quanto o Ministério da Agricultura e Pecuária afirmem que o próximo ano-safra terá um Plano Safra robusto, o Congresso votou um Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2025 que não prevê reforço significativo nos valores destinados pelo Tesouro Nacional. Isso pode comprometer o acesso ao crédito rural e afetar diretamente a produção.
O avanço tecnológico tem sido um grande aliado do agro. Sensoriamento remoto, inteligência artificial e agricultura de precisão têm permitido otimizar a produção, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência no campo. Práticas sustentáveis também se tornam um diferencial competitivo, especialmente em um mundo que cada vez mais exige rastreabilidade e responsabilidade ambiental. A bioenergia é outra grande aposta. Com investimentos em biocombustíveis e geração de energia a partir de resíduos agrícolas, o Brasil pode reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e se consolidar como referência em sustentabilidade no setor.
A defesa do agronegócio brasileiro passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento de políticas públicas que garantam previsibilidade, segurança jurídica e condições favoráveis para quem produz. O Plano Safra e o Pronaf são instrumentos fundamentais para garantir crédito acessível, mas é preciso avançar ainda mais.
Na última quarta-feira (26), o Congresso Nacional lançou a Agenda Legislativa do Agro 2025, documento elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que estabelece as prioridades do setor para os próximos anos. A agenda abrange os temas de tributação e política agrícola, meio ambiente e recursos hídricos, direito de propriedade, relações trabalhistas, relações internacionais, infraestrutura e logística, produção agropecuária e educação. Para cada um desses eixos, representantes do setor vão destacar os projetos de lei em tramitação no Congresso que podem atender os produtores rurais brasileiros.
Defender o agronegócio é defender o Brasil. O setor não apenas impulsiona a economia, mas garante a segurança alimentar, gera milhões de empregos e posiciona o país como líder global. O nosso compromisso, como parlamentares, é garantir que o produtor rural tenha as condições necessárias para continuar crescendo, inovando e produzindo com sustentabilidade. O agro é o Brasil que dá certo. E seguiremos lutando para que ele seja cada vez mais forte.
VICENTINHO JÚNIOR
Deputado federal e presidente do Progressistas no Tocantins