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Bancada falta em 420 sessões; Irajá, Vicentinho Jr. e Kátia são os mais ausentes

Levantamento de ONG aponta ainda que congressistas do Tocantins gastaram R$ 13,9 milhões entre cotas e verbas indenizatórias

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Bancada falta em 420 sessões; Irajá, Vicentinho Jr. e Kátia são os mais ausentes
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A organização não governamental (ONG) denominada “Ranking dos Políticos” divulgou levantamento nesta sexta-feira, 21, que aponta que os atuais congressistas tocantinenses não estiveram presentes em 420 sessões entre 2015 e 2018, sendo que 144 das faltas sequer foram justificadas. Os mais faltosos representantes do Estado em Brasília são os deputados federais Irajá Abreu (PSD) e Vicentinho Júnior (PR), além da senadora Kátia Abreu (PDT).

Candidato ao Senado, Irajá Abreu faltou 95 das 395 sessões realizadas, não justificando 48 delas. Vicentinho Júnior busca à reeleição a deputado federal, mas não compareceu a 83 das sessões, com a ampla maioria das ausências – 60 – sequer sendo fundamentadas. Na disputa pela vice-presidência na chapa encabeçada por Ciro Gomes (PDT), Kátia Abreu não compareceu a 71 sessões ao todo, mas justificou quase todas as vezes [69]. O CT acionou as assessorias dos mais faltosos.

Irajá Abreu enviou nota argumentando que parte das faltas não justificadas aconteceram no período da eleição suplementar. “Como parlamentar e presidente do partido no estado, tive que me dedicar integralmente a este processo. Fiz isso pois eu jamais viraria as costas para o nosso estado, principalmente num período tão delicado da nossa história”, anotou o social democrata, que ainda garantiu que nas vezes que não esteve em Brasília foi para continuar no trabalho no Tocantins.

Em nota, a equipe de Vicentinho Júnior também afirmou que a maioria das faltas não justificadas –  37, segundo o republicano – aconteceram em junho, período da eleição suplementar. O texto até destaca que o deputado chegou a receber apenas R$ 4.587,36 no mês devido a isto. Em relação às vezes em que fundamentou a ausência, o republicano explica que foram decorrentes de problemas de saúde.

Os congressistas menos faltosos do Tocantins foram os deputados federais Carlos Gaguim (DEM), Dorinha Seabra (DEM) e Josi Nunes (Pros), com quatro, oito e 16 ausências, respectivamente. Confira com detalhes as faltas no quadro abaixo:

O Ranking dos Políticos também mostra que os congressistas do Tocantins gastaram R$ 13.922.515,05 entre cotas e verbas indenizatórias até o presente momento do mandato. Somente com combustível e lubrificantes, os deputados e senadores do Estado consumiram R$ 1.269.577,16. Ao todo, os parlamentares brasileiros nas duas casas gastaram cerca de R$ 60 milhões com combustível no período.

A assiduidade e os gastos da cota parlamentar são critérios utilizado pela ONG para elencar os congressistas por qualidade de representação. Segundo estes estudos, Josi Nunes é a tocantinense mais bem posicionada Ranking dos Políticos, ficando na 126ª posição de um universo de 594 pessoas. O senador Ataídes Oliveira (PSDB) aparece como o segundo melhor posicionado do Estado, mas na 165ª colocação geral.

Além disso, há cinco congressistas do Tocantins posicionados entre os piores, de nível vermelho, que vai da 300ª à 594ª posição. A pior colocada do Estado é a senadora Kátia Abreu, que figura na 433º colocação devido as votações, processos e 71 faltas. Veja abaixo a posição dos tocantinenses e acesse o Ranking dos Políticos para conferir detalhes da atuação de cada um.

 

Entenda
O Ranking dos Políticos atua na classificação por meio de ferramentas tecnológicas compiladas pelo Portal da Transparência e informações públicas de parlamentares brasileiros, levando em conta também fatores como processos judiciais e atuação legislativa. Todas as informações publicadas são públicas, disponíveis nos sites oficiais do Senado e da Câmara dos Deputados e dos Tribunais de Justiça.

Apesar destes critérios técnicos, a ONG admite que defende posicionamentos específicos, citando a defesa dos direitos humanos, respeito às leis, combate à corrupção e aos privilégios, livre iniciativa, propriedade privada, no regime de mercado, na eficiência dos serviços públicos, na redução do desperdício, na liberdade de informação. Entretanto, a outros não elencados. Congressistas contra alguma destas tendências podem ter a nota prejudicada.

Leia abaixo a íntegra das notas sobre as faltas:

“Nota à imprensa
Irajá Abreu
Parte das faltas não justificadas ocorreram no período em que o estado do Tocantins passou por um dos momentos mais difíceis da sua história. Com a cassação do governador Marcelo Miranda, toda classe política do Tocantins teve que se envolver de forma emergencial nas eleições suplementares. Como parlamentar e presidente do partido no estado, tive que me dedicar integralmente a este processo. Fiz isso pois eu jamais viraria as costas para o nosso estado, principalmente num período tão delicado da nossa história. 

Pontuo ainda que mesmo não estando em Brasília continuei aqui minha jornada de trabalho, atendendo a população tocantinense e viajando para inúmeros municípios do nosso Tocantins. E ouvir as demandas da população, estar ao lado da população, atender prefeitos, vereadores e lideranças políticas é uma das responsabilidades do cargo de deputado federal. E foi o que eu fiz neste período em que o estado mais precisou de apoio.”

—–

“Sobre o assunto em questão, cabe esclarecer que a maioria das ausências do deputado federal Vicentinho Júnior (PR) na Câmara Federal, em seus quase quatro anos de mandato, ocorreu durante as eleições suplementares do Tocantins, em razão de estar coordenando a campanha do então candidato a governador, o senador Vicentinho Alves. Cumpre ressaltar, entretanto, que nas exatas 37 sessões às quais não compareceu, o deputado teve o valor das faltas descontado do seu salário, o que o levou a receber R$4.587,36 em junho, mês referente às eleições suplementares. Já as ausências justificadas foram decorrentes de problemas de saúde do deputado, entre os quais uma pneumonia que enfrentou em abril deste ano

Vicentinho Júnior”

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