CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / O “salão de beleza” que põe apelido em todos e incendeia a política

TEMPO REAL / O “salão de beleza” que põe apelido em todos e incendeia a política
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Desde o post do deputado estadual licenciado Eduardo Siqueira Campos (DEM) no Twitter sobre o gabinete que teria se tornado um “salão de beleza” em todos têm um apelido que o meio político está em polvorosa. Mensagens e ligações passaram a chegar a todo instante com duas perguntas tão óbvias quanto angustiantes: “Qual é o gabinete  e qual o meu apelido?”. Minhas respostas para os dois questionamentos são… não sei. E não sei mesmo.

Na correria do dia-a-dia de uma redação, quase não me sobra tempo para dar um pulo quinzenalmente nos amigos do Sthilos Cabeleireiros, na JK, para passar máquina 2 na cabeça cujos cabelos a cada ano se escasseiam mais e mais, quanto mais para ficar papeando em gabinete em que desocupados só se preocupam em cravar epítetos em tudo e todos. De toda forma, o que se sentiu desde o post de Eduardo foi o crescimento de uma enorme indignação contra o desconhecido “gabinete da injúria”, como um revoltado o classificou para mim, que, conforme as listas que estão sendo distribuídas via WhatsApp, estaria descambando para a gordofobia, intolerância religiosa e racismo.

Entre os alvos dos gracejos nada diplomáticos estão senadores, vereadores, deputados, secretários e jornalistas. Ninguém escaparia de um nome estranho, a partir de sua silhueta, crença, defeito físico, trejeito ou boatos sobre a personalidade

CLEBER TOLEDO É jornalista e editor da Coluna do CT

Nessas listas há alcunhas como Trovão, Quenga, Nelcivan Júnior, Pedófilo, Rolha de Poço, Chupeta de Baleia, Macumbeira, Gordo que se acha independente, Judas Escariotes, Dorminhoco e uma série de outros nomes pitorescos.

Entre os alvos dos gracejos nada diplomáticos estão senadores, vereadores, deputados, secretários e jornalistas. Ninguém escaparia de um nome estranho, a partir de sua silhueta, crença, defeito físico, trejeito ou boatos sobre a personalidade. Ou seja, a encarnação viva do politicamente incorreto, tudo contradizendo os marcos civilizatórios mais básicos.

Sobre a reação aos infames tratamentos dispensados, além dos indignados, existem dois grupos interessantes. Um deles enfurecido porque ficou de fora, e com isso se sente desprestigiado. O sujeito está se achando desimportante porque não foi capaz de cavar um apelidinho sequer. Será que é tão socialmente inexpressivo que transitou por lá sem ser notado? Travei um diálogo com um desses no final de semana prolongado:

— Qual o meu apelido lá?

— Não sei… Não tenho acesso e nas relações de apelidos que recebi você não foi citado.

— Como não? Não é possível! Passo em vários gabinetes toda semana, conto piadas, dou risada… Impossível que ficaria de fora de uma lista com pessoas tão destacadas da sociedade…

— Pode ser pelo enorme respeito de que você desfruta — contemporizei.

Outra reação é típica da política: usam essa situação para difamar o adversário. Aproveitam da boataria para incluir apelido que a pessoa mesmo deu ao adversário e que estava ansioso por uma oportunidade para espalhar. Assim, acrescenta o epíteto que cunhou para seu desafeto nos rodapés das listas que giram pelas redes sociais. Ainda faz questão de mandar a relação à sua vítima para dizer: — Olha o que aquele gabinete infame está dizendo a seu respeito. Um absurdo!

Não sei realmente de qual gabinete se trata, se ele existe mesmo, se todos os apelidos que circulam são verdadeiros, e qual é a alcunha de cada um. Mas uma coisa, contudo, concluí: a metáfora com salão de beleza não retrata bem o episódio. Mais certo mesmo é comparar a um playground, porque haja infantilidade.

CT, Palmas, 18 de novembro de 2019.


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