A propósito do diálogo que mantive com um amigo e, também, advogado, comentávamos sobre a dificuldade que todos nós, seres humanos, temos em exercer o perdão, no que acordamos que não é fácil, mas, também, que de tudo que é mais difícil se torna melhor.
Tudo em nossa vida terrestre existe uma escala de valores. Embora algo ou alguns sentimentos pareçam totalmente semelhantes, existem diferenças, muitas vezes imperceptíveis, mas existem. E com os sentimentos não é diferente, em especial naqueles que nascem no âmago do espírito.
Há momentos na vida em que o coração pesa. Palavras que feriram, atitudes que decepcionaram, escolhas que deixaram marcas. A vontade é de nos protegermos, levantarmos muros, guardarmos distância. E é justamente aí que o Mestre dos mestres que nos ensinou sobre o amor se aproxima.
Ele não vem com cobranças ou condenações. Ele vem com um olhar que nos atravessa por dentro, um olhar que conhece as dores que escondemos e nos diz com ternura: “Eu estou aqui para te restaurar, não para culpar”.
O mesmo sábio dos sábios ensinou que guardar mágoas é como prender-se a correntes invisíveis. O rancor nos mantém presos ao passado, enquanto Ele quer nos conduzir para a vida nova. Ele nos convida a soltar o que pesa, não porque o outro sempre merece perdão, mas porque o nosso coração precisa ser livre.
Perdoar não é esquecer o que aconteceu, nem fingir que a dor não existe. Perdoar é tomar uma decisão de não deixar o mal continuar dentro de nós. E essa decisão não se toma sozinha, é graça de Supremo Criador, do Arquiteto do Universo.
Quando pregado na cruz, Ele disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Mostrou que o perdão é o ápice do amor. É o fruto maduro de um coração que escolhe confiar na Espiritualidade Superior, mesmo diante da injustiça.
Talvez hoje o prezado leitor esteja lutando para perdoar alguém. Talvez esteja lutando para se perdoar. O Senhor dos senhores o Rei dos reis sabe. Ele acolhe essa luta. Ele caminha com você. E aos poucos, o coração que parecia duro começa a se abrir…a respirar paz…a voltar a amar.
O perdão não muda o passado, mas transforma o presente e abre um futuro novo.
Que Jesus cure as memórias feridas, derrame misericórdia sobre o que doeu, e ensine nossos corações a amar como Ele ama. Onde a mágoa for profunda, que a graça seja ainda mais profunda. E que descubramos, em cada passo, que perdoar é permitir que Deus faça novas coisas.
“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
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