A segurança pública será, sem dúvida, um dos principais temas da campanha eleitoral de 2026. A crescente preocupação da população com a criminalidade, o avanço das organizações criminosas e a necessidade de fortalecer as instituições de segurança fazem com que o assunto ocupe posição central no debate político.
Essa discussão, no entanto, não começa apenas no Brasil. Ela tem ganhado dimensão internacional. Nos últimos anos, os Estados Unidos intensificaram o debate sobre o enfrentamento às organizações criminosas transnacionais, incluindo medidas e discussões envolvendo facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho. Mais do que uma questão de segurança, o tema passou a integrar o debate político em um cenário de forte polarização sobre os modelos de enfrentamento ao crime organizado.
Naturalmente, essa discussão percorre todos os níveis da política. Ela influencia o debate presidencial, chega às eleições estaduais e, por fim, alcança os municípios, onde a violência é vivenciada pela população. É nas cidades que o cidadão sente os reflexos da criminalidade, cobra respostas do Estado e espera soluções concretas para viver com mais segurança.
Vejo esse cenário como positivo. Mesmo quando parte das discussões assume um caráter oportunista ou meramente eleitoreiro, o fato de a segurança pública estar em evidência permite que a sociedade compare ideias, cobre resultados e avalie a capacidade de quem pretende representar a população.
Entretanto, é preciso separar o debate sério da exploração política. Segurança pública não pode ser utilizada apenas como slogan de campanha ou instrumento para produzir discursos de ocasião. Infelizmente, em períodos eleitorais surgem especialistas de última hora, críticas desprovidas de conhecimento técnico e promessas simplistas para problemas extremamente complexos. O cidadão merece mais do que frases de efeito. Merece propostas responsáveis, compromisso e experiência comprovada.
Também é importante reconhecer que nenhuma política pública de segurança é construída por uma única pessoa. Os resultados alcançados pelo Tocantins foram fruto de um trabalho coletivo, conduzido sob a liderança do governador Wanderlei Barbosa, que priorizou investimentos na área, fortaleceu as forças de segurança, garantiu autonomia operacional às instituições e compreendeu que segurança pública deve ser tratada como política de Estado, e não como ação isolada de governo. Esse ambiente permitiu que a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Penal e os demais órgãos atuassem de forma integrada, produzindo resultados expressivos para a sociedade tocantinense.
No entanto, existe uma diferença fundamental entre falar sobre segurança pública e ter autoridade para fazê-lo. Trata-se de uma área complexa, que exige conhecimento técnico, experiência prática, capacidade de gestão e, sobretudo, resultados concretos.
Na segurança pública, não basta apontar problemas. É preciso demonstrar o que foi realizado, quais decisões foram tomadas, quais investimentos foram feitos e quais impactos essas ações produziram na vida das pessoas.
Durante minha trajetória na Polícia Militar do Tocantins, tive a honra de participar e comandar operações que marcaram a história da segurança pública do nosso Estado.
Em 2019, na Operação Pequizeiro, enfrentamos uma organização criminosa especializada em ataques a carros-fortes. A ação durou 17 dias e resultou na prisão de dois criminosos e na morte de cinco em confronto. Pagamos um preço alto: um policial militar perdeu a vida cumprindo seu dever, lembrando que a segurança pública é construída diariamente com coragem e sacrifício.
Em 2023, o Tocantins tornou-se protagonista da maior operação integrada em ambiente rural já realizada no Brasil. A Operação Canguçu durou 39 dias e foi desencadeada após a tentativa de assalto à empresa de transporte de valores em Confresa (MT), praticada por integrantes do PCC na modalidade conhecida como “Domínio de Cidades”. A integração entre as Polícias Militares do Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Pará demonstrou que o crime organizado só pode ser enfrentado com inteligência, cooperação e liderança. Ao final da operação, 19 criminosos morreram em confronto e cinco foram presos.
No ano de 2024, a Operação Cidade Blindada representou uma resposta firme ao avanço das facções criminosas que disputavam territórios e elevavam os índices de homicídios. O resultado foi a prisão dos responsáveis pelos homicídios relacionados à disputa entre essas organizações criminosas.
Em 2026, a Operação Entre Rios, realizada em conjunto com a FICCO de Goiás, durou 5 dias e reforçou o combate ao narcotráfico internacional. A ação culminou na apreensão de aproximadamente 500 quilos de cloridrato de cocaína, uma aeronave utilizada pelo tráfico, um preso e cinco criminosos mortos em confronto.
Essas operações fazem parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da segurança pública.
Entre 2024 e 2026, oito aeronaves utilizadas pelo narcotráfico foram interceptadas no Tocantins em ações integradas, totalizando a apreensão de aproximadamente quatro toneladas de cloridrato de cocaína e causando um prejuízo superior a R$ 240 milhões às organizações criminosas.
Também foram realizados investimentos expressivos na valorização da Polícia Militar, com fortalecimento da atividade de inteligência, ampliação da qualificação profissional, aquisição de armamentos modernos, drones termais, helicóptero, coletes balísticos, equipamentos tecnológicos e a realização de dois concursos públicos, com expectativa de convocação de 1.660 novos policiais militares.
Esses resultados demonstram que segurança pública eficiente não é fruto do acaso. Ela depende de planejamento, integração entre instituições, investimento contínuo, tecnologia, inteligência e valorização dos profissionais que dedicam suas vidas à proteção da sociedade.
O debate que o Brasil precisa fazer não é sobre quem faz o discurso mais duro ou a promessa mais impactante. O verdadeiro debate deve ser sobre quem conhece a realidade da segurança pública, quem possui experiência para enfrentar os desafios e quem apresenta resultados concretos.
Quem pretende discutir segurança pública perante a sociedade precisa apresentar seu histórico, suas realizações e suas propostas. A população tem maturidade para distinguir quem efetivamente trabalhou pelo fortalecimento das instituições daqueles que apenas descobrem a importância do tema quando as eleições se aproximam.
Na segurança pública, credibilidade se constrói com trabalho. E resultados sempre falarão mais alto do que discursos.
CORONEL MÁRCIO BARBOSA
É ex-comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins e pré-candidato a Deputado Federal















