O gari e diretor de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SindLurb-DF), Raimundo Nonato Correia Morais, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e a adoção da jornada 5×2 durante pronunciamento em Comissão Especial na Câmara dos Deputados, no dia 19. Representando a categoria, o líder sindical ganhou projeção nacional ao criticar as condições atuais de trabalho e acenar com uma paralisação geral do setor de limpeza urbana em todo o país caso a pauta não avance no Congresso Nacional.
DEFESA DA CATEGORIA E CRÍTICAS À JORNADA MULTI-DIÁRIA
Com 24 anos de atuação na limpeza urbana, Morais rebateu discursos que desvalorizam a profissão e criticou o argumento de parlamentares de que o dia extra de folga seria utilizado pelos trabalhadores para exercerem outras atividades remuneradas (“bicos”). Segundo o dirigente, a atual jornada de seis dias de trabalho por um de descanso compromete a mobilidade e o desenvolvimento educacional dos profissionais, destacando que muitos passam até quatro horas diárias em transportes públicos, o que inviabiliza o acesso aos estudos. “Do meu dia de folga eu faço o que eu quiser. E se eu quiser fazer um bico para aumentar a minha renda não tem crime nisso. Crime é trabalhar na escala 6×1, onde a gente passa quatro horas dentro de ônibus. Não tem condições de estudar para evoluir”, afirmou.
COMO NO FIM DA ESCRAVIDÃO
Ele também criticou a possibilidade de indenização aos empresários por conta do fim da escala 6×1. “A gente vê os parlamentares falando que tem que subsidiar. É a mesma coisa que fizeram lá em 1888. Os escravos foram livres e pagaram para os escravizadores. Indenizaram eles. E como é que ficam os trabalhadores? O Brasil precisa mudar, o Brasil precisa evoluir”, defendeu.
QUEM É CONTRA É CONTRA O POVO
Morais destacou que a pauta do fim da escala 6×1 “não é partidária, é uma pauta de povo”. “Quem é contra o fim da escala 6×1 é contra o povo. 72% da população é favorável ao fim dessa escala. Então, é necessário que fique claro para a população: todo mundo que for contra é contra o povo e em 2026 nós vamos fazer um limpa na Casa do Povo, o Congresso Nacional. Tirar daqui de dentro os inimigos do povo. Porque nós não somos donos da casa só para pagar a conta. E nós não vamos nos calar”, avisou.
PARALISAÇÃO NACIONAL COMO PRESSÃO POLÍTICA
O diretor do SindLurb-DF informou que a categoria realizou uma paralisação de advertência em oito capitais brasileiras na sexta-feira anterior ao depoimento. Morais sublinhou que, caso o projeto que altera a jornada de trabalho não seja votado no Senado Federal, os trabalhadores da limpeza urbana articulam uma greve geral de âmbito nacional. O movimento reivindica a transição para o modelo 5×2 sem que ocorra redução nos salários da categoria.
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