CLEBER TOLEDO
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Bom Dia – Nenhum cidadão tem dúvida sobre o IPTU, tem é revolta

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 A nota de sexta-feira, 9, das 17 entidades que representam os cidadãos palmenses sobre a polêmica do estratosférico aumento do IPTU da Capital foi a mais forte já produzida contra uma autoridade nos últimos anos. A prefeitura comete um erro absurdo ao, veladamente, atribuir responsabilidade a essas instituições pelo insano imposto que enviou aos contribuintes.

Mas fez justamente isso primeiro na quinta-feira, 8, nas entrelinhas, que o CT levou para a manchete. No outro dia veio uma nota atacando o site, que apenas se ateve ao que o texto dizia de forma encoberta, mas com uma clareza solar. Se o cidadão tiver condições básicas de leitura perceberá a culpabilização velada às entidades num simples passar de olhos.

No sábado, 10, as entidades, obviamente sentindo-se atingida, até por não serem analfabetas funcionais, mostraram ter entendido perfeitamente a estratégia do município de tentar tirar o corpo fora e apontar os dedos para os representantes dos cidadãos.

O que queremos é que o IPTU retorne ao patamar de 2017, que se cancele esse estratosférico aumento disfarçado pelo tecnicismo cínico do município

Cleber Toledo É jornalista e editor do CT


No mesmo dia veio outro ataque contra as entidades, de um cidadão cuja empresa com a qual tem ligação umbilical desfruta de contrato milionário com o município. Figura estratégica nos planos políticos e eleitorais do prefeito Carlos Amastha (PSB), foi às redes sociais dizer que as entidades que subscreveram a nota têm relação política com os adversários de seu assessorado. Uma defesa mais cheia de interesse próprio que essa é impossível de achar. Essas instituições simplesmente estão refletindo a revolta de toda a população.

Outra nota nesta terça-feira, 13, e a prefeitura vem ressaltando, de novo veladamente, a participação das entidades na definição da nova planta de valores genérica, ou seja, para o município, são indiretamente responsáveis pela sangria praticada contra o cidadão palmense.

Contudo, um trecho da nota de sexta-feira das entidades chama muito a atenção, quando elas afirmam que a comissão que reviu a planta de valores era composta “por maioria de membros do município, sempre com as mesmas posições e em apoio da intenção da prefeitura, no intuito de que todos os seus interesses fossem aprovados”. Até por esta constatação, conforme a nota, algumas entidades se retiraram do grupo.

Ou seja, o que se apreende dessa passagem é que o município queria impor sua orientação ao resultado final da revisão da planta de valores e usar as entidades para legitimá-la. Depois, diante da grita geral, como se ouve neste momento contra o absurdo produzido, o Paço retira o corpo da frente e diz que apenas está executando o que a própria sociedade, pela sua representação, aprovou. Voilà!

Manobra certeira? Não, porque, ao contrário do que parece supor a gestão Amastha, os palmenses também podem pensar. Como ensina o talentosíssimo Juraildes da Cruz, nóis é Jeca mais é jóia.

A tentativa agora de amenizar o desgaste com a criação de uma força-tarefa com técnicos para “tirar dúvidas” do contribuinte é inútil. Ninguém tem dúvida, tem críticas e revolta. Afinal, o sujeito pagou R$ 5 mil ano passado e agora recebeu um boleto de R$ 19 mil.

Não há dúvida alguma: mexeram na planta de valores pela segunda vez, alteraram os redutores e nos passaram uma conta totalmente desumana, desarrazoada e desproporcional.

Não temos qualquer dúvida, temos é discordância e não queremos pagar esse abuso. Ninguém quer se sentar diante de um burocrata para que ele repita os mesmos argumentos que a prefeitura tem usado.

O que queremos é que o IPTU retorne ao patamar de 2017, que se cancele esse estratosférico aumento disfarçado pelo tecnicismo cínico do município.

Força-tarefa alguma vai resolver essa questão. Por isso, diante da insistência do município em sangrar o cidadão, vale a convocação das 17 entidades que assinaram a nota de sexta-feira: que todos os palmenses se insurjam contra o indevido e super elevado aumento de IPTU que prejudica a economia de toda a Capital.

CT, Palmas, 13 de fevereiro de 2018.

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