Os Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado votaram nesta quinta-feira, 30, pela derrubada do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de lei da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
TOCANTINS TEM 9 DOS 11 CONGRESSISTAS FAVORÁVEIS AOS GOLPISTAS
Na Câmara, 318 parlamentares votaram a favor do benefício aos condenados, incluindo os tocantinenses Alexandre Guimarães (MDB), Antônio Andrade (PSDB), Carlos Gaguim (UB), Eli Borges (Republicanos), Filipe Martins (PL), Tiago Dimas (Podemos) e Vicentinho Júnior (PSDB) Por outro lado, 144 deputados votaram contra, sendo Ricardo Ayres (Republicanos) o único parlamentar do Estado nesta lista. No Senado, foram 49 votos favoráveis à derrubada do veto, com os tocantinenses Eduardo Gomes (PL) e Dorinha Seabra (UB) neste grupo. Entre os 24 contrários, apenas Irajá Silvestre (PSD).
VOTAÇÃO FATIADA
Antes da votação, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), fatiou a votação, excluindo os trechos que beneficiariam criminosos comuns ao reduzir o tempo para progressão de pena, mudança prevista no texto aprovado em dezembro de 2025. O PL 2.162 de 2023 foi incluído como pauta única na sessão de hoje, entrando na frente de mais de 50 vetos, parciais ou totais, que aguardam na fila para análise do Parlamento.
FUTURO DE NOVAS AVENTURAS GOLPISTAS
O líder do governo na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), pediu questão de ordem contra a votação do PL por entender que outros vetos teriam preferência, mas o apelo foi rejeitado por Alcolumbre. “Nós estamos votando o tema da democracia e, portanto, o futuro de novas aventuras golpistas se derrubar este veto, uma vez que está defendendo um grupo determinado, que é o de Jair Bolsonaro, e os generais golpistas que tentaram implantar golpe no país”, disse a liderança governista. “Não é esquerda ou direita. É se nós queremos democracia ou golpe ou ditadura, autoritarismo no Brasil. Liberdade, democracia, sim, ditadura nunca mais”, acrescentou.
HARMONIA POLÍTICA
A derrubada do veto foi defendida pelo senador Espiridião Amim (PP-SC), relator do PL, que justificou que o julgamento da trama golpista não teria sido justo. “Eu quero, em primeiro lugar, dizer a todos os congressistas que estão aqui que este é um dia que pode permitir que se galgue ou se supere o primeiro degrau para a justiça e para a harmonia política no Brasil”, disse o parlamentar.
RAZÃO DO VETO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o chamado PL da Dosimetria por entender que a proposta é inconstitucional e viola o interesse público ao reduzir penas de crimes contra a democracia. “Daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática e indicaria retrocesso no processo histórico de redemocratização que originou a Nova República”, justificou o Palácio do Planalto.
ENTENDA
O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas. O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”.
BOLSONARO É O PRINCIPAL BENEFICIADO
Tais mudanças devem beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).













