CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / Caso Moisés da Sercon, um ano de um silêncio cínico e incômodo

TEMPO REAL / Caso Moisés da Sercon, um ano de um silêncio cínico e incômodo
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Há exato um ano, no final da manhã de 30 de agosto de 2018, recebi a mensagem de uma fonte de Miracema no WhatsApp dizendo que o prefeito Moisés da Sercon estava desaparecido. Bobagem, pensei. Mais uma daquelas sugestões de pauta furadas. Político é assim: dá uma sumida para aliviar um pouco a pressão, ou para conversas reservadas. Daqui a pouco, Moisés volta e a vida segue.

Meus contatos com o empresário Moisés Costa da Silva, o Moisés da Sercon, começaram uns dois anos antes das eleições de 2016. Ele era persistente nas sugestões de pautas, dizia que seria candidato a prefeito e que ganharia as eleições. Como, aliás, todo pré-candidato garante a nós jornalistas. Por isso, dava o espaço que podia ao insistente Moisés, mas não apostava que sua intenção ganharia força e teria chegada.

Esse silêncio só é interrompido pelos barulhos que chegam do desmonte da equipe de investigação, como denuncia a família.

CLEBER TOLEDO É jornalista e editor da Coluna do CT

Acordei para a força do candidato já na reta final da campanha eleitoral de 2016. Um amigo do MDB participou de um comício ou reunião de Moisés em Miracema e voltou empolgado: “Vai ser taca”, contou-me. Para mim, de longe e com 139 eleições para monitorar, essa vitória, sobretudo esmagadora assim, ainda não estava configurada.

Ponderei se isso não era euforia de um bom comício ou reunião. Já vi vários assim: comícios com multidões e o candidato derrotado dias depois. “Aguarde e verá”, recomendou o emedebista.

Não deu outra: proporcionalmente, foi a maior taca do País — não só do Tocantins —, com incríveis 84,62% dos votos válidos. Aquele sujeitinho persistente, que todo dia me fustigava para cavar um espaçozinho no site realmente não estava de brincadeira.

Antes das eleições garantia que faria uma grande gestão. E vinha fazendo. Como prefeito, não decepcionou. Muito articulado, transitava bem pelas instâncias de Poder, conseguia recursos e obras históricas há muitos anos sonhadas pelos miracemenses. Mesmo com a crise que estremecia as contas dos municípios, a gestão de Moisés já se despontava como referência.

Pela proximidade que aumentou entre nós desde o período de pré-campanha, pela pessoa afável que ele sempre me demonstrou ser e pelo grande líder que começava a surgir, num momento de total carência de boas referências na política, o susto foi absurdo quando me chegou a confirmação, no início daquela tarde de 30 de agosto de 2018, de que Moisés fora encontrado morto em seu veículo.

Se essa tragédia me impactou de forma tão brusca, imagino, então, como deve ter estraçalhado a família e os cidadãos que, em quase toda a sua totalidade, viram naquele jovem empresário um líder diferenciado.

Todo esse contexto do covarde assassinato do prefeito torna ainda mais insuportável o silêncio e a falta de respostas da Polícia do Tocantins para esse crime. Esse silêncio só é interrompido pelos barulhos que chegam do desmonte da equipe de investigação, como denuncia a família.

Por que desse silêncio? A quem ele interessa? A quem serve?

É a falta dessas respostas que torna esse silêncio cínico das autoridades um incômodo insuportável e fator do aumento da nossa sensação de insegurança. Se a violência contra um grande líder é tratada com esse descaso, imagine se fosse com um de nós, reles mortais?

Pior é que, quanto mais questionamos, mais ouvimos uma interjeição apática vinda da Praça dos Girassóis:

— Psssiiuuuuu!!!

CT, Maringá (PR), 30 de agosto de 2019.


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