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José Cândido Póvoa | Comemoro onze anos de idade com muita alegria

Até quem lida com literatura, se surpreende com determinados artigos escritos e já publicados, mas que na visão do autor, compensa ser republicado, em especial quando o tema serve de alerta ou, no mínimo, uma sinalização sobre determinados episódios. É o meu caso, que conforme exponho no título deste artigo, hoje, 07/06/2019, completo onze anos de idade. Quem tiver a curiosidade de ler até o final verá que a afirmação contida no título está correta.

De repente vi toda minha vida resumida num centro cirúrgico, no dia 07/06/2008. Mas até chegar lá, vários foram os passos dados. Embora todos os exames preventivos tenham sido realizados, dentre eles o conhecido PSA e nenhuma alteração mais significativa constatada, o urologista entendia ser o toque o melhor diagnóstico para a prevenção de problemas na próstata. Exame realizado e a solicitação de uma biópsia. Adiei ao máximo tal procedimento, por não constatar nenhum sintoma considerável. Mas por insistência de minha esposa e minha filha e vencendo a ignorância masculina sobre o assunto, certo dia resolvi realizar o exame.

Quão justiceira é a morte! Diante dela desaparece toda diferença terrena, porém, manifesta-se a diferença verdadeira, que é o valor espiritual

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA É poeta, escritor e advogado

Qual não foi a minha surpresa que dos doze microscópicos fragmentos colhidos, um acusava a presença de células cancerígenas. Solução: cirurgia. Exames pré-operatórios. Tudo dentro dos parâmetros normais. Foi após tudo isso que me vi num centro cirúrgico, em Goiânia, numa bela manhã daquele mês de junho, para realização do procedimento. Cirurgia muito delicada que exige do profissional médico muita perícia e habilidade, em vista das consequências que poderão advir.

A despeito de todo cuidado, já finalizando a cirurgia, é solicitado ao anestesista a aplicação de mais um pouco de analgésico. Momento em que ouço o mesmo dizer que eu empalidecia gradativamente. Foram as últimas palavras que consegui ouvir. Só sabendo no dia seguinte e já no apartamento, após uma noite na UTI, que eu havia sofrido uma parada respiratória em função de alergia, o que exigiu procedimentos de emergência para o pronto restabelecimento das funções vitais do meu organismo, dentre eles, a principal: A respiração.

Depois daquela ocorrência, passei a meditar sobre essa linha imaginária e divisória entre a vida e a morte. E a primeira constatação que o anjo da morte nos inspira é que termina a vida presente com todos os sofrimentos e injustiças que lhe andam associados. Além disso, a morte é justiceira. Nesta vida é tão frequente a injustiça. Tantas vezes triunfa os injustos, os traidores e fica vencida a honra. Por isso o homem desespera-se. Mas quando nos pesarem as inúmeras injustiças desta vida terrena e passageira, é salutar irmos até ao cemitério, até ao meio dos mortos silenciosos e num momento se apaziguará o nosso coração rebelde. Sim, a morte é justiceira! Diante dela nada vale a dignidade nem a posição.

Não há possibilidade de a subordinar com dinheiro nem com sorrisos. Diante dela nada valem as proteções, as vênias e a formosura. Talvez muitos conheçam a velha lenda alemã, referente aos sinos de Espira: “Morreu um pobre – assim reza a lenda – e começou a soar na torre o grande sino imperial, que somente costumava tocar na morte dos imperadores. O povo exclama: Morreu o imperador, morreu o imperador. Mais tarde morreu, de fato, o imperador, que então era Henrique V. E, então, só se ouviu o sino pequeno. E todos perguntavam: Quem será o pobre pecador que hoje compareceu perante o tribunal divino? Não é difícil compreender o fino simbolismo desta lenda.”

Quão justiceira é a morte! Diante dela desaparece toda diferença terrena, porém, manifesta-se a diferença verdadeira, que é o valor espiritual. Desta maneira a morte nivela as grandes desigualdades humanas. Ela nos coloca diante de um Juiz a quem não se pode subornar. Pouco importa que tenhamos tido posição elevada ou que tenhamos sido humildes, que tenhamos sido ricos ou pobres, descendentes de nobre linhagem ou duma família sem bens e humilde, imperador ou mendigo… Nada trouxemos para este mundo, nada também dele poderemos levar. 

E cabe a nós seres humanos, limitados como somos, por muitas vezes adiar um pouco mais essa realidade. Podemos, também, evitar os sofrimentos, a exemplo do que fiz, acreditando na habilidade de um profissional da saúde, e que transformou o meu conceito sobre a prevenção de uma doença que assola os homens em virtude do preconceito machista e ignorante de não compreender que os exames nos trazem  a possibilidade de aproveitar muito mais desta bela vida.

Parafraseando Jesus, o Mestre dos mestres, diria: Muitos ouvem mas não escutam; muitos veem mas não enxergam.


JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado. Membro fundador da Academia de Letras de Dianópolis, sua terra natal
jc.povoa@uol.com.br


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