CLEBER TOLEDO
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JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA / A literatura está de luto 

Embora possa parecer tardio, este reconhecimento sempre será atual. Quando as pessoas que estimamos retornam à pátria espiritual, ou voltam a fazer parte da energia cósmica universal, ou são enterradas à espera do juízo final retornando ao pó de onde viemos, ou como queira denominar os segmentos religiosos, doutrinas ou até mesmo seitas, o essencial de tudo é a falta que nos fazem no convívio do dia a dia, na troca de ideias e aperfeiçoamento pessoal e espiritual.

Existem aqueles especiais que nos proporcionam momentos diferentes e vários desses vivi através de uma certa pessoa que fez parte da minha infância, adolescência, juventude e bem depois na chamada vida adulta. Se isso não bastasse, depois que a vida nos afastou por alguns períodos, ele no seu caminho e eu no meu, nos reencontramos em Palmas, Tocantins. Ele Desembargador, eu um mero poeta e advogado. E foi naquela época que ele me deu a honra de  fazer a apresentação, na galeria da Fundação Cultural de Palmas, de dois novos livros que chegavam ao mercado da cultura.

Ele foi o único e por muito tempo o será. Seu nome: José Liberato Costa Póvoa. Só quem conviveu com ele sabe da dimensão que foi sua inteligência, sua cultura e conhecimento da vida

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA Apple co-founder

Naquela ocasião tive que posicionar-me na trincheira que conheço um pouco mais, ou pelo menos procuro conhecer, o da poesia, para tentar desempenhar, se não impossível, o meu difícil papel. Mesmo entendendo que a poesia tem o condão de retemperar a alma e transformar todos os homens em verdadeiros irmãos, e, também, por considerar o cronista, o contista, o contador de “causos” e outros artistas das letras, irmãos gêmeos do poeta, pois qualquer um desses gêneros, embora não escrito em versos, transformam-se em verdadeiros poemas, pois nascem de fatos do cotidiano que exigem muita visão dos detalhes que os inspiram.

Dias atrás, relendo os excelentes prefaciadores das obras que me refiro acima, ambos traçando um fiel retrato do autor, quando me veio, então, novamente a interrogação: fui escolhido para apresentar aqueles livros por benevolência ou coincidência, se existiam tantos outros mais preparados para fazê-lo? Por sermos conterrâneos, primos-irmãos e confrades, não deve ter sido, pois já nascemos assim e não foi nossa escolha pessoal. Vislumbrei uma certa coerência no fato de sermos amigos de infância e os amigos forjados nas alegrias e revezes da infância e juventude, transformam-se, também, em irmãos e cada um passa a ser membro efetivo da academia do coração do outro. Se não bastasse termos sido confrades na Academia de Letras de nossa terra natal.

Relendo “Conversas de Compadres” e “Um Causo Puxa o Outro”, que considero dentre tantas outras obras já editadas por ele, talvez as melhores, se é possível fazer paralelos entre tantas obras excelentes, constatei, mais uma vez,  que autor era realmente um gênio e  tinha a capacidade de aguçar nos leitores os mais sutis sentimentos humanos.

Traçou um paralelo perfeito entre o tempo do homem citadino, que é marcado pela matemática lógica do relógio e o do homem do campo, da roça, onde o sentimento de liberdade marca os seus anos e momentos de vida.

Obras de um incomparável escultor das letras. Dois diamantes lapidados que se inserem no rol de tantas outros. Jóias que passaram pelas mãos de um artífice meticuloso e criador. Obras que satisfazem os anseios de todas as pessoas, das mais simples aos intelectuais. O autor mostra que o escritor completo é aquele que fornece os víveres da sua capacidade, sua cultura, suas leituras e as histórias criadas, confirmando que a arte não se faz e não a sentimos apenas com a cabeça, mas com o corpo inteiro, com os sentimentos, com as angústias e até mesmo com os suores do dia da dia.

Por tudo isso e muito mais que cada leitor descobrirá durante a leitura das suas obras, é que podemos afirmar que no dia 25 de dezembro passado, a cultura perdeu um literato de grande envergadura, comparado aos maiores regionalistas do Brasil.

Esse gênio da literatura continuará, através das suas obras, dignificando e honrando não só a sua terra natal, nossa inesquecível Dianópolis, como, também aos Estados de Minas Gerais, onde viveu por muitos anos, nossos Goiás e Tocantins e ao País. Se não bastasse que em toda história de nossa cidade, nunca houve ou haverá, pelo menos para nossa geração e mais próximas, alguém com tal capacidade e inteligência. Não haverá por tão cedo algum dianopolino que deixando sua terra natal apenas com a inteligência privilegiada e a perspicácia que lhe era peculiar, possa vir a ser Advogado, Juiz, Desembargador, Presidente de um Tribunal de Justiça, de uma Tribunal Regional Eleitoral e Governador interino do nosso Tocantins e membro de várias entidades ligadas à cultura.

Ele foi o único e por muito tempo o será. Seu nome: José Liberato Costa Póvoa. Só quem conviveu com ele sabe da dimensão que foi sua inteligência, sua cultura e conhecimento da vida e mesmo a despeito disso, nunca deixou que a vaidade superasse a humildade que era sua característica. Tinha verdadeira aversão daqueles que desconhecem o berço onde nasceu, que negam a origem humilde de onde vieram. Liberato foi um incompreendido pelas pessoas comuns, infelizmente, a grande maioria.

“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”


JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado. Membro fundador e titular da cadeira nº 12 da Academia de Letras de Dianópolis(Go/To), sua terra natal.
jc.povoa@uol.com.br


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