Reportagem da Folha de São Paulo publicada na sexta-feira, 6, afirma que pelo menos cem regimes de previdência estaduais e municipais investiram em fundos ligados ao Banco Master, que passa por processo de liquidação por determinação do Banco Central (BC) por fraudes e outras irregularidades. Conforme o veículo, o cruzamento de dados com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indica que três previdências estaduais e 98 municipais colocaram recursos em cinco fundos de investimento conectados à instituição: São eles o Texas I (de ações), além do Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian Graveyard & Death Care (de investimento imobiliário).
FUNDOS LIGADOS AO MASTER
Até então, o que foi divulgado é que institutos de previdência haviam investido diretamente no Master, comprando letras financeiras. Entretanto, o novo levantamento da Folha vai além e mostra que mais de uma centena de institutos de previdência, que administram os recursos que bancam as aposentadorias de servidores, foram também investidores indiretos, aportando recursos por meio da compra de cotas em fundos de investimentos ligados à instituição financeira de Daniel Vorcaro. Conforme o veículo, o regime de previdência do Tocantins é listado ao lado do Rio de Janeiro e Amapá neste quesito.
CASO TOCANTINENSE
Segundo fundo com mais aportes, Aquilla está na rede apontada como fraudulenta do Master e foi citado na Operação Fundo Fake, de 2020, por suspeitas de “rebates” pagos a uma consultoria de investimento que assessorava institutos de previdência. O fundo registrou prejuízo de R$ 20 milhões em 2025 e teve as contas do ano anterior reprovadas pelos cotistas. Conforme a Folha, o Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (Igeprev) foi o maior investidor do fundo e manteve R$ 21 milhões aplicados.
IGREPREV PASSOU A APLICAR APENAS EM BANCOS OFICIAIS
Em nota à Folha, o Igeprev afirmou que os investimentos foram feitos entre 2011 e 2014, e que atualmente aplica apenas em bancos oficiais e papeis do Tesouro Nacional. “O instituto esclarece ainda que já possui diversas ações administrativas e judiciais em curso, com o objetivo de tentar resgatar, ao menos em parte, os recursos aplicados em fundos com desempenho insatisfatório por gestões anteriores”, escreveu ao veículo paulista.
Leia a íntegra da nota do instituto:
“O Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (Igeprev) informa que os recursos citados na matéria foram aplicados entre os anos de 2011 e 2014, período anterior à atual gestão. O Igeprev evidencia que, atualmente, aplica seus recursos exclusivamente em bancos oficiais e em papéis do Tesouro Direto do Governo Federal.
O Instituto esclarece ainda que já possui diversas ações administrativas e judiciais em curso, com o objetivo de tentar resgatar, ao menos em parte, os recursos aplicados em fundos com desempenho insatisfatório por gestões anteriores.
Em relação ao Banco Master, o Igeprev deixa claro que não mantém, nem manteve, qualquer vínculo ou aplicação financeira com a instituição. Pontua que, em determinado período, a gestora do fundo manteve relação comercial com o Banco Master, à época denominado Banco Máxima, sem que as aplicações realizadas integrassem, em qualquer momento, a carteira do banco.”
















