Após a publicação de O reciclador de Sentimentos, crônica de minha autoria, recebo do primo-confrade da Academia de Letras de Dianópolis e amigo Francisco Liberato as seguintes considerações: “Estava eu aqui refletindo, após a leitura de sua sensível e poética crônica: quantas pessoas passaram pela mesma cena, pela mesma imagem, enxergaram, mas não foram capazes de ver além do que o sentido físico dos olhos lhes mostraram. Somente o poeta traz a visão profunda, capaz de fazer aflorar o que está oculto, o que a sua sensibilidade capta e traduz em palavras que comovem aos que com elas guardam afinidade.”
Essa mensagem me remete para as seguintes frases: “Só vê bem quem vê com os olhos do coração”, ou, ainda, “O essencial é invisível aos olhos.” Escritas por Antoine de Saint-Exupéry e inseridas, entre tantas outras belas frases no livro O Pequeno Príncipe, que, aliás, se tornou um dos livros preferidos por mim desde minha adolescência.
Frases essas que nos convidam a todos, em especial aos poetas, refletirmos sobre a limitação do olhar puramente racional ou superficial.Os olhos enxergam formas, cores, aparências e situações concretas; o coração, porém, percebe sentimentos, valores, intenções e afetos. Muitas das coisas mais importantes da vida, o amor, a amizade, a confiança, a lealdade e a compaixão não podem ser medidas nem vistas materialmente, mas são justamente elas que dão sentido à existência.
Neste mundo atual, frequentemente dominado pela pressa e pelas aparências, Saint-Exupéry se torna cada vez mais atual e nos lembra que compreender alguém ou alguma situação exige mais do que observar fatos. É preciso sensibilidade para perceber o que está oculto por trás das palavras, dos gestos e mesmo da aparência puramente humana. O coração, nesse sentido, representa a capacidade humana de acolher, compreender e sentir.
Assim, o autor de O Pequeno Príncipe nos ensina que a verdadeira visão não depende apenas dos olhos, mas da profundidade com que somos capazes de olhar para a vida e para as pessoas.
Quem vê com o coração e sabe que o essencial é invisível aos olhos, descobre o grande segredo: aquilo que não aparece à primeira vista, mas que constitui a verdadeira riqueza da experiência humana.
“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
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