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TADEU ZERBINI A nova economia brasileira

TADEU ZERBINI A nova economia brasileira
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Em 1973, Mário Henrique Simonsen que foi engenheiro, economista, professor, banqueiro, Ministro da Fazenda durante o governo de Ernesto Geisel, e Ministro do Planejamento no governo Figueiredo, em parceria com Roberto Campos que foi economista, professor, escritor, diplomata e político brasileiro lançaram pela editora José Olympio o livro “A Nova Economia Brasileira”. Estavam maravilhados com o chamado “Milagre Econômico Brasileiro” que iniciou com o Programa de Ação Econômica do Governo Castelo Branco. O Plano previa incentivo às exportações, abertura ao capital exterior e reformas nas áreas fiscal, tributária e financeira. Durante o período do milagre econômico o PIB brasileiro chegou ao crescimento de 11,1% ao ano. Foi um sucesso de mídia.

Neste período foi criado o Banco Central e o SFH – Sistema Financeiro da Habitação que, por meio do BNH – Banco Nacional da Habitação, alavancou a construção civil. Também foram criadas dezenas de estatais para servirem de apoio ao crescimento econômico.

O fortalecimento dos municípios e estados é excelente, mas precisamos saber se o que está sendo proposto, realmente vai fortalecer

TADEU ZERBINI É economista e consultor

Foram construídas a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Usina de Itaipu e a usina nuclear de Angra. Foi implantada a Zona Franca de Manaus e a mineração em Carajás e Trombetas. Foram financiadas indústrias de bens de consumo, farmacêutica e na área da agricultura. Os programas de desenvolvimento regional executadas pelas superintendências de desenvolvimento das regiões brasileiras foram um paliativo para a sociedade menos favorecida.

Tudo foi feito por meio de empréstimos internacionais, mas ninguém contava com uma grande virada no cenário internacional proporcionada pelo primeiro choque do petróleo ocorrida em 1973. Naquele ano, os países produtores pararam de vender petróleo para países quem fossem aliados de Israel. Assim, o preço do barril quadruplicou em apenas um ano, encarecendo a produção industrial.

Com isto, os Estados Unidos elevaram os juros do mercado internacional na década de 70 e reduziram as remessas de dinheiro para os países em desenvolvimento. O Brasil parou de receber empréstimos e passou a pagar juros exorbitantes da dívida externa. Em consequência, houve arrocho salarial, desvalorização cambial e redução do poder aquisitivo da população. O desemprego, a pobreza e a desilusão tomaram conta do país. O Brasil passou a ser “sócio do FMI” por muitos anos, pagando juros sobre juros e afogando os brasileiros na miséria.

Depois do susto, o Brasil caminhou para a década de 80, ou seja, a Década Perdida”. Tudo por estratégias equivocadas e em nome do populismo desenfreado para agradar uma pequena parcela da população. O autoritarismo não é tão eficiente assim, pois a falta de investimento em educação e saúde na época, atrasou em muito o desenvolvimento brasileiro.

Falei tudo isto para poder focar sobre o novo momento da economia brasileira.

A Taxa Básica de Juros está em 5% e o mercado já espera que ela esteja em 4,5% até o final do ano. A inflação prevista para este ano é de 3,42%. O PIB não chega a 1%. A nova economia brasileira se faz presente. Quem vai escrever um novo livro sobre esta nova fase?

O que isto significa? Significa que os investimentos feitos na poupança e na renda fixa podem vir a ter rendimento negativo. Os investidores vão ter que correr mais riscos se quiserem ter retorno sobre seus investimentos. Muitos brasileiros já estão investindo na bolsa de valores e em fundos imobiliários para fugirem dos investimentos tradicionais. Acabou a fase de deixar o dinheiro rendendo e ir dormir. Se algum investidor ou poupador não quiser correr riscos é melhor deixar o dinheiro debaixo do colchão.

A reforma da previdência já concluída, somada às reformas e medidas que foram encaminhadas para o Congresso Nacional, vão mexer em muito com os servidores públicos e com a classe média que estavam em uma zona de conforto maravilhosa.

Com a economia brasileira estagnada a desigualdade aumenta enquanto a miséria, o desemprego e a violência continuam a assombrar o povo brasileiro. Não existem milagres imediatos para colocar fim à esta situação dramática a não ser um pacto entre os poderes executivo, legislativo e judiciário com o firme propósito de colocar o país em uma situação mais confortável.

As divergências políticas, as estratégias neoliberais e o populismo não podem sobrepor sobre as demandas sociais que estão em seus limites humanos. O fortalecimento dos municípios e estados é excelente, mas precisamos saber se o que está sendo proposto, realmente vai fortalecer.

Acabar com municípios deficitários não é a solução ideal, isto vai gerar mais desemprego e mais pobreza. Precisam ser realizados mais estudos e pesquisas para validar a proposta.

Chega de milagres e pacotes econômicos. Os princípios da economia são consagrados universalmente e não adianta simplesmente implantar modelos que podem ser modificados com a eleição de outro Presidente.

Caldo de galinha e paciência não faz mal a ninguém. 


TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
ctzl@uol.com.br


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