CLEBER TOLEDO
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Amastha promete na Fieto que conselho avaliará alterações tributárias

Candidato a governador voltou a atacar a “velha política” e teve que defender sua aliança com o Partido dos Trabalhadores nesta eleição suplementar

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Amastha promete na Fieto que conselho avaliará alterações tributárias
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Sem tempo estipulado para apresentar propostas e projetos para o Tocantins, o candidato a governador da coligação “A Verdadeira Mudança”, Carlos Amastha (PSB), falou por quase duas horas durante o “Café com Política” desta terça-feira, 15, promovido pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto). No encontro, pessebista defendeu a manutenção da “segurança jurídica” por meio do fortalecimento do Conselho de Desenvolvimento Econômico (CDE).

Aos empresários, Amastha garante que formalizará “no primeiro dia” a integração entre o setor privado e o Estado por meio da CDE. “Prometo que a gente vai amarrar o conselho, Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Seden) e as Finanças, de maneira que ninguém ouse inventar um imposto, uma taxa, se não for totalmente combinado e aprovado dentro deste conselho”, disse em certa parte do discurso, momento que chegou a arrancar palmas do público.

Apesar de negar aumento de tributos, o candidato foi cauteloso no sentido de reaver reajustes adotados pelo ex-governador Marcelo Miranda (MDB), como a de 2015, aprovados pela Assembleia Legislativa. “Não sei até que ponto a gente pode recuar no que tem, mas uma coisa é certa, nunca mais vamos falar em criação de imposto, mas de desonerar a produção e incentivar o crescimento econômico. Por outro lado, o que já se tem de imposto vamos devolver em serviços para a sociedade”, disse.

“Se é o empresário que paga conta, é quem tem que tomar as decisões. E o conselho não pode ser consultivo, tem que ser deliberativo. E no futuro, quando entrar outro governador tem que estar amarrado. Não dá para fazer nada se não convence a cadeira produtiva”, acrescentou Amastha, defendendo uma formatação do CDE com maior número de representantes do setor privado, citando o modelo de Palmas, que segunda alega, tem apenas três membros do Poder Público em um universo de 21 cadeiras.

Também ao CT, o candidato argumentou que esta manutenção das regras com a anuência do setor produtivo garante “segurança jurídica”. “Não pode ficar mudando a regra do jogo na metade do caminho e a gente precisa respeitar tudo que aconteceu até agora. Não quero nunca mais que o empresário acorde e abra o jornal e tenha uma surpresa que houve uma mudança tributária. A gente vai sentar, vai discutir, e não vai ser tomada uma decisão sem o aval de quem produz”, disse.

Carlos Amastha gastou um bom tempo listando ações realizadas pela Prefeitura de Palmas quando estava à frente da administração, medidas que elencou como modelo a ser levado ao governo do Estado. O candidato destacou, em especial, ações na saúde do município – que citou como “a melhor do Brasil disparada” -, na educação e no turismo. Em relação a assuntos que impactam mais diretamente a indústria, o candidato falou de dois programas de incentivo fiscal e desoneração que implantou na Capital: o Habita Palmas e o Palmas Solar. “Vamos fazer no Tocantins inteiro”, prometeu.

Em relação à logística, o candidato da coligação “A Verdadeira Mudança” disse que não chega a ser necessário discutir a pavimentação das estradas estaduais por defender que esta é uma situação simplesmente “tem que acontecer”, assim como ações na saúde e educação. Quanto o estabelecimento da hidrovia no Rio Tocantins com o Porto de Praia Norte, Amastha defende ser um caso que precisa de uma estratégia a “longo prazo”. “A gente tem que discutir medidas a curto e médio prazo” ponderou.

Amastha também criticou instituições estaduais como a Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) e a Superintendência do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), que, segunda alega, só servem para “punir o produtor”. “Vamos desmontar este sistema. Montaremos órgãos para serem indutores do desenvolvimento”, garantiu.

Perguntas
O Café com Política abriu espaço para algumas perguntas aos presentes. Sobre empreendedorismo, Carlos Amastha voltou a citar experiências à frente de Palmas. “ “A gente fez um programa através do Banco do Povo, despolitizados e fomos atrás dos pequenos”, disse o ex-prefeito, que também defendeu a realização de parceria com a Fieto, além de cursos de especialização voltados para o mercado existente no Tocantins. O candidato ainda disse que, se eleito, será um “governador caixeiro viajante”. “Bons projetos com credibilidade, dinheiro não falta no mundo”, argumentou.

Questionado sobre ações de fomento, o candidato da coligação “A Verdadeira Mudança” defendeu a implantação de parques tecnológicos que tenham a ver com potencialidades do Tocantins, elencando agricultura, piscicultura, logística, como exemplos. O pessebista acrescentou ainda que os potenciais do Estado não “regionalizados” e por isso defende um “desenvolvimento integrado”. Para este processo, Amastha aposta em uma “parceria pela industrialização da cadeia produtiva”.  “Temos que ser ousados da política tributária”, apontou.

Aliança com o PT
Um tema que destoou das perguntas relacionadas à indústria foi quanto a aliança de Carlos Amastha com o Partido dos Trabalhadores (PT), que tem o advogado Célio Moura como candidato a vice-governador na chapa da coligação “A Verdadeira Mudança”. Em resposta, o ex-prefeito lamentou o radicalismo atual do País, culpando exatamente a classe política. “Por causa a porcaria desses políticos, a gente começa a radicalizar, irmão contra irmão”, disparou.

Ao trazer ao âmbito regional, Carlos Amastha voltou a exaltar a administração da Capital. “Desde janeiro de 2013 governei com os melhores, e por isso nunca olhei para as cores partidárias”, comentou o candidato, usando como exemplo a administração da saúde e da educação do município, respectivamente por Nésio Fernandes, filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e Danilo Melo, pessebista com longa passagem pelo PT.

O candidato demonstrou respeito pelos deputados estaduais petistas José Roberto, Amália Santa e Paulo Mourão e lembrou que o diretório nacional do partido colocou-se contra a aliança. Em relação a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na Lava Jato, resumiu: “É problema do PT e da Justiça”.

Ataque à “velha política”
A já tradicional investida de Carlos Amastha contra os chamados políticos tradicionais, que batizou de “velha política” voltou a acontecer durante o “Café com Política”. O postulante ao Palácio Araguaia foi especialmente duro contra os próprios adversários do pleito suplementar. “Me fala qualquer um desses candidatos, quando trabalharam? Quando colocaram a mão na massa? Suaram para produzir alguma coisa? Roubando, roubando, roubando, descaradamente com a conivência nossa”, disparou.

Carlos Amastha indicou a existência de uma alternância dos mesmos grupos no Poder durante toda a história do Tocantins, mas isentou parcialmente o ex-governador Siqueira Campos (DEM). “Não quero desmerecer trabalho de ninguém, principalmente de Siqueira Campos, por quem tenho uma admiração enorme. Foi o cara que fez que este Estado acontecesse”, afirmou o candidato, chegando a colocá-lo acima de Teotônio Segurado, desembargador que lutou pela emancipação do norte de Goiás no início do século XIX.

Apesar da reverência, o ex-prefeito de Palmas disse que o último governo de Siqueira Campos foi “triste” e afirmou que defendia, na época, uma candidatura do agora democrata ao Senado. Ao falar isto, Amastha aproveitou para disparar contra o filho do político, o deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM). “Querendo, querendo e querendo o Poder, olha o que fez com o pai”, soltou.

Amastha voltou a recorrer a uma espécie de bordão para pedir “mudança” no cenário político tocantinense. “São trinta anos de Siqueira com seu Siqueirinha, Marcelo com sua Dulcinha, Vicente
com seu Vicentinho, Kátia com os Katitos. Vocês não cansaram disso? Eu cansei. Por isso entrei para política. Cansei de trabalhar para aguentar e sustentar esse bando de vagabundos”, disparou em parte do pronunciamento.

Tocantins como eixo de desenvolvimento
Após a participação de Carlos Amastha, o presidente da Fieto, Roberto Pires, entregou a “Carta da Indústria” ao candidato, documento que ratifica as demandas da categoria. Em entrevista, o representante dos industriais afirmou que a adesão ao evento foi “maior que o esperado” e disse ter a expectativa de que o bom número de participantes seja mantido no próximo encontro.

Roberto Pires também falou do objetivo do evento. “A ideia é poder perceber o que está contemplado no programa de governo de cada um deles que vem de encontro com os interesses dos segmento produtivo do Estado; poder perceber qual é o melhor para o desenvolvimento industrial. O Tocantins já está consolidado como eixo viário, mas queremos ver como eixo de desenvolvimento”, defendeu.

Próximos convidados
Todos os candidatos terão uma edição do “Café com Política” da Fieto. O governador interino Mauro Carlesse (PHS) será recebido nesta quarta-feira, 16, pela categoria; Marlon Reis (Rede) participa na quinta-feira, 17; e o senador Vicentinho Alves (PR), na sexta-feira, 18.

Na próxima semana é a vez de Mário Lúcio Avelar (Psol), que conversa com a categoria no dia 23; a senadora Kátia Abreu (PDT), no dia 24; e por último, Marcos Sousa (PRTB), no dia 25. Todos os encontros acontecerão a partir das 7h30.

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