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Kátia assume do PDT e diz não ter obrigação de apoiar outro nome se ficar fora da suplementar

Senadora afirma que só vai acompanhar o candidato que apresentar projeto que considerar “defensável”

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Kátia assume do PDT e diz não ter obrigação de apoiar outro nome se ficar fora da suplementar
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A senadora Kátia Abreu se apresentou oficialmente nesta segunda-feira, 2, como filiada do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em coletiva de imprensa que concedeu ao lado do presidenciável Ciro Gomes e do dirigente nacional da legenda, Carlos Lupi, em seu gabinete em Palmas. A mais nova pedetista chega à sigla assumindo a comissão provisória do Tocantins e avisando que, se ficar de fora da eleição suplementar, poderá ausentar-se de dar apoio a outro postulante.

Antes mesmo abrir espaço para as perguntas, Kátia Abreu adiantou-se e afirmou que espera o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) definir as regras da eleição suplementar para definir sobre uma candidatura ao governo. “Aguardarei pacientemente e tranquilamente a resolução do TRE para tomar a decisão mais adequada, a que for melhor para o Tocantins neste momento”, resumiu a parlamentar, acrescentando que irá consultar não só o PDT, mas as lideranças políticas de partidos aliados.

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Candidatura não é impossível
Mesmo com a cautela, Kátia Abreu entende ter mais possibilidade de ser candidata do que os prefeitos Carlos Amastha (PSB), de Palmas; e Ronaldo Dimas (PR), de Araguaína; isto porque a data de desincompatibilização em relação aos gestores municipais está na Carta Magna, enquanto as regras relacionadas à filiação partidária estão regulamentadas por legislação complementar. “Acho muito difícil alterar prazo da Constituição Federal, mas não acho impossível alterar prazos da Lei Ordinária”, sintetizou.

Caso realmente fique impedida de disputar a eleição prevista para acontecer no dia 3 de junho, segundo o TRE, a senadora não descarta dar apoio a outro nome, mas não se vê obrigada a indicar uma alternativa. “Se de fato encontrar um projeto que fale mais alto e que satisfaça as pessoas, vou aplaudir e posso até apoiar. Agora, ficando fora do suplementar, não tenho obrigação de apoiar e aprovar qualquer pessoa. Se não tiver um projeto que considero defensável poderei me ausentar deste apoio”, afirmou.

Transição com equilíbrio
Kátia Abreu falou brevemente sobre a crise do Estado e pediu “responsabilidade” e “equilíbrio” no governo de transição, bem como na administração interina de Mauro Carlesse (PHS). “Que possa agir com equilíbrio e vendo, em primeiro lugar, o interesse dos tocantinenses, e não o próprio”, desejou ao presidente da Assembleia. “O Tocantins não suporta mais intensamente campanhas eleitorais como estamos vivendo nos últimos dez anos”, completou a senadora, citando as duas cassações de Marcelo Miranda (MDB) e a renúncia de Siqueira Campos (DEM).

A nova pedetista fez questão de destacar a importância dos programas de governo neste momento de crise. “Quem vai ganhar as eleições – esta suplementar, e quem poderá ganhar em outubro – não será um personagem, mas o melhor projeto”, disse. A parlamentar ainda fez um contraponto ao discurso do “novo”, bastante usado por Amastha. “Não acredito que a novidade esteja no CPF ou na carteira de identidade, mas é se modernizar, se atualizar. Político velho é o que não quer fazer mudanças”, defendeu.

Impeachment: “imaginei que seria meu fim”
A parlamentar não deixou de falar do posicionamento contrário ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e chegou a se emocionar ao lembrar do que entende ser o seu recomeço. “No primeiro momento tinha a completa e absoluta certeza de que seria extirpada da política, mas muito tranquila e ciente do meu ato. Mas para minha surpresa total e absoluta é que o quadro reverteu. Imaginei que seria meu fim, mas foi meu grande começo”, disse.

Kátia Abreu admitiu ter mudado com todo o processo, mas fez questão de se afastar da polarização, criticando a radicalização no cenário político nacional. “Não quero ser radical de lado nenhum, nem de esquerda, nem de direita. Eu tenho a convicção que radicalismo é primo primeiro da ignorância. Quero luz, entendimento, paz e respeitar o que cada um pensa; e me posicionar sempre no centro”, argumentou.

Presidência do PDT
Ângelo Agnolin estava presente na coletiva de imprensa e confirmou ao CT que deixou a presidência do Partido Trabalhista Brasileiro (PDT). O comando da comissão provisória da legenda do Tocantins ficará com Kátia Abreu. Ao lado de Carlos Lupi, que confirmou a mudança, 0 ex-dirigente defendeu que a medida visa dar “autonomia” à senadora pela sua pré-candidatura ao governo do Estado.

Presidente nacional do partido, Carlos Lupi ainda deu carta branca à Kátia Abreu. “No Tocantins, a senadora tem total liberdade e apoio do PDT para qualquer aliança que viabilize a candidatura dela”, disse durante a coletiva. Elogios a tocantinense também não faltaram. “Estamos em um ato forma de uma paixão antiga. Considero-a uma mulher de muita fibra, coerência e lealdade. A senhora representa aquela aliança da vitória: capital produtivo com o trabalho”, acrescentou.

Aliança com PT no Tocantins
Carlos Lupi também falou da possibilidade de uma aliança com o Partido dos Trabalhadores. Os petistas fizeram governador na Bahia, Ceará, Piauí e Acre com o apoio do PDT e, listando estes estados, é que o presidente pedetista espera uma compensação, pedindo apoio à candidatura de Kátia Abreu. “Eles têm que dar sua contrapartida pelo menos aqui no Tocantins”, cobrou.

Presidenciável
Com uma candidatura “irreversível em qualquer situação”, segundo disse o próprio Carlos Lupi, Ciro Gomes foi outro que elogiou a parlamentar tocantinense. O presidenciável disse conhecer a história e a militância de Kátia Abreu e garantiu receber a filiação da senadora com “intensíssima alegria e um imenso sentido de esperança”.

Crítico ao presidente Michel Temer (MDB), Ciro Gomes comentou sobre a expulsão da tocantinense do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e comparou o episódio como se fosse uma punição de nazistas. “Imediatamente após queda deste flagelo da humanidade [regime fascista na Alemanha], todos [os punidos pelos nazistas] foram vivificados como heróis. E é isto que Kátia Abreu é, uma heroína, que por se manter fiel aos seus valores, coerente com seu compromisso popular, não desertou”, comentou.

Para Ciro Gomes, Kátia Abreu deveria guardar a punição como uma “medalha”. Apesar do forte comentário, o presidenciável disse que o MDB ainda guarda boas figuras, citando o senador paranaense Roberto Requião, do Paraná, presente na coletiva de imprensa. Entretanto, o parlamentar também enfrenta processo de expulsão do partido.

Lula
O presidenciável do PDT disse esperar o apoio do Partido dos Trabalhadores. Segundo Ciro Gomes, a direita “tem horror” a possibilidade, mas argumenta que parte do PT quer “agitar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma campanha, o que prejudica o entendimento entre as siglas. “Esta intriga não pode prosperar”, defendeu.

Ciro Gomes disse considerar uma “injustiça” o impedimento de Lula se candidatar devido à Lei da Ficha Limpa, mas entende que a Legislação é clara e que dificilmente o petista disputará à presidência da República. “Nunca se abriu uma exceção”, disse em relação à inelegibilidade causada pela condenação por órgão colegiado.

Lei Ficha Limpa
Sobre a Lei Ficha Limpa em si, que é mote de Márlon Reis, pré-candidato ao governo do Tocantins pelo Rede Sustentabilidade, Ciro Gomes afirma que o texto foi um alternativa que chamou de “puxadinho” para alterar o processo do Judiciário.

Segundo o presidenciável, o Brasil é o “único País do  mundo” que dá aos réus quatro graus de jurisdição, e não apenas dois, o que deixa o tramitação lenta. “Ao invés de resolver o problema, a gente começa a inventar soluções intermediárias que violenta a consciência política”, defende

Bolsonaro
A popularidade do deputado federal carioca e pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSC) foi avaliado por Ciro Gomes. O pedetista disse que o político é “um personagem que não resiste” a uma campanha por não ter qualificação, mas compreende sua ascensão. “Bolsonaro é um ato de repulsa de uma fração da sociedade brasileira que cansou da política.  É a resposta tosca, como sempre acontece em momento de desorientação política somada com crise econômica e maus exemplos vindos de cima”, disse.

Sempre técnico, Ciro Gomes ainda discorreu sobre o processo de desindustrialização do País e defendeu o redesenho do pacto federativo aliado a uma mudança do sistema de tributação. Questionado, o pré-candidato também garantiu compromisso total com a conclusão da Ferrovia Norte-Sul caso chegue à presidência da República.

Presenças
Irmão do presidenciável e ex-governador do Ceará, Cid Gomes acompanhou a coletiva. Também presente, Roberto Requião exaltou Kátia Abreu. “A senadora é séria, competente, excelente administradora, e que nesta crise na qual o Brasil passa, e pela qual passa o Tocantins, oferece uma perspectiva”. O ex-vice-governador tocantinense Tom Lyra foi outro que compareceu. O empresário é outro que está trocando de partido, deixa o PSD para levar seu projeto de deputado federal ao PDT de Kátia Abreu.

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