CLEBER TOLEDO
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TEMPO REAL / Sul e sudeste do Tocantins precisam se mobilizar contra paraquedistas

Como defensor do voto distrital misto, não gosto de ver candidatos de outros campos invadindo território alheio. Por mais boa vontade que um paraquedista tenha com a região que não é a sua, o fato é que não é seu domicílio. Figura tão somente como um complemento para lhe garantir a vitória. É muito diferente de como ele busca representar na Assembleia a região em que mora, conhece as pessoas desde a infância, onde estão maciçamente seus votos.

Não desprezo, óbvio, o apoio que um deputado estadual dá a uma região que não é a dele. Sobretudo aquelas tomadas por paraquedistas e que, por isso, não conseguiram eleger representantes locais. Se o parlamentar obtivesse os votos complementares e não se lembrasse mais daquele eleitorado, essas regiões estariam totalmente desassistidas.

A questão, portanto, é outra: as regiões precisam eleger seus líderes locais para representá-la. Defendo que o cidadão trate o processo eleitoral como se já houvesse o sistema distrital. Resumindo a mensagem: não vote em candidato que não é da sua região. Cada um no seu quadrado.

Esta campanha, diga-se, tinha que ser de iniciativa dos líderes regionais que pretendem chegar à Assembleia. É preciso formar a opinião pública com essa cultura do voto distrital a ponto de aqueles líderes que abracem paraquedistas passem a ser mal vistos pela comunidade local.

Afinal, um líder que pede voto para candidato de fora está trabalhando contra a sua região. Está impedindo que a comunidade tenha os próprios representantes no Parlamento, aqueles que moram nela, vivem os bons e maus momentos de sua população, conhecem profundamente os problemas locais e podem ser cobrados a qualquer dia pelo cidadão, porque este sabe até onde fica a casa de seu deputado.

Parlamentar do Bico do Papagaio volta ao Bico do Papagaio no final de semana. Não vai para a região sul ou sudeste, a não ser para um evento ou outro. Passa os dias em que não está em sessão na Capital rodando as cidades de seu colégio eleitoral, de onde sai a maioria mais do que absoluta dos votos que o elegem.

De suas emendas, no mínimo, 50% vão para a sua região e divide o restante para as outras áreas onde obteve os votinhos que complementaram sua vitória eleitoral.

E não está errado. Age duplamente com razão. É óbvio que deve priorizar sua região de domicílio e, claro, precisa ter a responsabilidade de não permitir o desamparo de cidades de outros “distritos” que não têm representantes e confiaram nele. Assim, não há aqui nenhuma crítica aos paraquedistas, mas, sim, aos líderes locais.

Àqueles que abraçam candidatos de fora contra os de sua região e aos candidatos de sempre que não se mobilizam para formar a opinião pública para a necessidade de votar em líderes locais, ficam digladiando entre si e depois choramingam que não se elegeram.

Este editorial é repetitivo. A cada véspera de eleição escrevo sobre o tema, mas o script não muda. O roteiro desse filme sempre tem o mesmo final.

No Tocantins, nas últimas eleições as principais vítimas têm sido as regiões sul e sudeste, que sempre contribuem decisivamente para a vitória de candidatos do norte e do centro do Estado, que são muito mais bairristas, além de possuírem uma massa muito maior de eleitores.

A pergunta é: até quando?

CT, Palmas, 6 de julho de 2021.


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