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Rapport, que bicho é esse? 

Rapport, que bicho é esse? 
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Nos últimos tempos, RAPPORT é uma palavra que tenho lido e escutado muito. Estabelecer rapport! Estar em rapport!

Eu, particularmente, não gosto de usar palavras em outro idioma. Gosto mesmo é do nosso português, principalmente o  que carrega toda a nossa brasilidade. Porém, fiquei curiosa, que tal de rapport é esse? Que bicho é esse que se fala tanto e se dá tanta importância? E aí aprendi, que é uma palavra francesa que quer dizer “trazer de volta”, mas mais do que isso,  é criar relação, ter empatia, sintonia e conexão com o outro. Aí sim, eu entendi o porquê de estar tão em voga.       

Será que se aprendêssemos, desde pequenos, a praticar a empatia, a nos sintonizarmos com os nossos semelhantes, a nos conectarmos uns com o outros, o mundo estaria como está?

NILMAR RUIZ É escritora e palestrante

Adoro a definição de Anthony Robbins: “Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum”.

Vamos trocar rapport por empatia, a habilidade de compreender o sentimento do outro, de se colocar no lugar da outra pessoa e de exercitar a aceitação e o apoio incondicional. É não julgar, perceber que todos estão certos de acordo com o seu ponto de vista, que cada pessoa tem o seu mapa individual, mas que a compreensão e o respeito  unem à todos.

“Empatia é penetrar no mundo perceptivo de outra pessoa e se sentir em casa.” Defendia Carl Roger, um dos psicólogos mais conceituados da história.

Será que se aprendêssemos, desde pequenos, a praticar a empatia, a nos sintonizarmos com os nossos semelhantes, a nos conectarmos uns  com o outros, o mundo estaria como está? Será que a depressão seria o mal do século? Será que teríamos tantas pessoas infelizes? Será que a violência atingiria esse nível absurdo? Será que a droga e o suicídio estariam ceifando as vidas de tantos jovens?

Imaginem se fossemos habituados a olhar nos olhos do nosso semelhante tentando entrar no sentimento que o invade naquele momento. A ouvir com atenção o que fala, criando uma atmosfera de confiança mútua, sem tentar impor as nossas idéias mas compreendendo as necessidades do outro. A observar os movimentos do corpo para estabelecer sincronia e conexão capazes de provocar sinergia e relação harmônica. A estabelecer uma troca de energia tão positiva a ponto de expandir a sensação de bem estar e segurança. Com certeza o mundo seria muito melhor!

A empatia encoraja comportamentos altruísta e de ajuda. Pesquisas recentes apontam que a ação empática de poucos pode “espalhar” esse sentimento em grupos, ajudando a impulsionar esse tipo de atitude na sociedade.

Arunas Radzvilavicius, pesquisador da Universidade da Pensilvânia (EUA), constatou que os indivíduos copiam o comportamento dos que estão próximos. Dessa forma a empatia se espalhará e a cooperação poderá emergir. A empatia requer que o egocentrismo seja deixado de lado para dar lugar ao altruísmo.

E como podemos fazer a nossa parte? Como beneficiar a nós próprios, aos outros e ao mundo, estabelecendo sintonia, estando em happort? Como a empatia é muito mais do que um sentimento, ela é processo, exige que façamos esforço mental e criemos hábitos para atingir essa virtude. Porém, podemos começar por atitudes simples, mas que fazem muita diferença. Sorrir sempre, o sorriso quebra barreiras e abre portas. Chamar as pessoas pelos nomes, indicando proximidade. Ouvir com atenção, com receptividade mesmo que não se concorde com o que a pessoa está dizendo,  para que a comunicação aconteça sem resistência. Fazer com que as pessoas se sintam totalmente ouvidas e experimentem sensação de segurança. Cuidar da linguagem corporal, descruzar os braços, evitar bocejar, o corpo precisa demonstrar interesse e concordância. Ter mais paciência, tolerância e flexibilidade para lidar com as diferenças. Ser positivo, levar soluções ao invés de problemas. Contagiar com a alegria, a leveza e as boas energias. Inspirar as pessoas para o bem. Construir pontes no lugar de muros. Criar elos e laços.

Quando penso em empatia ou happort, lembro do   ensinamento de Jesus: “Ame a teu próximo como a ti mesmo e não faça aos outros o que não quer que faça contigo”.


NILMAR GAVINO RUIZ
É professora, ex-secretária da educação, ex-prefeita de Palmas e ex-deputada federal. É co-autora da ARH – Auto Reprogramação Humana –  e palestrante.
nilruiz@uol.com.br


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