CLEBER TOLEDO
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Comensalismo e as perigosas rêmoras

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Comensalismo e as perigosas rêmoras
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Estimados leitores e leitoras! Como vocês estão? Parece que as questões políticas nacionais estão amenizadas. O que vocês acham? Pelo caminhar da carruagem, o nosso novo Presidente da República vai ter que rever alguns conceitos. Uma coisa é campanha política e outra coisa é a gestão pública e sua burocracia arraigada em princípios tradicionais e obsoletos, que ele somente terá conhecimento a partir de janeiro. Não podemos esquecer que as relações internacionais são de suma importância para o futuro de uma nação e decisões erradas podem levar o país a ter muita dificuldade para consolidar parcerias rentáveis e duradouras, por isto ele e sua equipe devem ser cuidadosos nessas relações. Vamos torcer para que tudo corra bem e o Brasil possa reviver seus tempos de equilíbrio fiscal e social.

Tem pessoas que passam pela vida como rêmoras, pouco se importando com as humilhações e frustrações que as impedem de viverem por conta própria. São pessoas sem escrúpulos, preguiçosas e acomodadas na vida dos outros

TADEU ZERBINI É economista e consultor

Vocês já ouviram falar de “comensalismo”?

O comensalismo é uma relação ecológica interespecífica (nome feio, né?), ou seja, ocorre entre indivíduos de espécies diferentes, onde uma das espécies obtém para si benefícios, enquanto a outra não possui ganhos nem prejuízos. A espécie que obtém ganhos é denominada como comensal, e seus ganhos, como o nome da relação sugere, estão relacionados à aquisição de alimento.

Um dos exemplos mais clássicos desta relação é o que ocorre com o peixe rêmora e o tubarão. A rêmora possui uma nadadeira dorsal transformada em uma estrutura que funciona como uma ventosa, que se fixa no corpo do tubarão. Ao ser transportada pelo tubarão, ela aproveita para se alimentar dos restos de alimento deixados por ele. Para o tubarão, a presença da rêmora se alimentado, é indiferente.

Trazendo esta definição para as relações humanas, pode-se dizer que os indivíduos da espécie mais pequena se “sentam à mesma mesa” de um indivíduo de uma espécie maior, obtendo deste último o abrigo, alimento ou facilidade de locomoção de que precisa para sobreviver, beneficiando assim dessa relação.

Acho que vocês já estão fazendo algumas reflexões, não é mesmo? Quantos tipos de rêmoras existem no nosso meio? Existem rêmoras que se agarram aos políticos que estão no poder para usufruírem das benesses advindas da posição do político, como emprego, contratos de obras e serviços e até mesmo aprovação de emendas parlamentares e alterações de Leis.

Temos também rêmoras de governadores, prefeitos, vereadores e até de chefe de divisão. Tem pessoas que passam pela vida como rêmoras, pouco se importando com as humilhações e frustrações que as impedem de viverem por conta própria. São pessoas sem escrúpulos, preguiçosas e acomodadas na vida dos outros.

Isto acontece também dentro das famílias. Quantas pessoas não são beneficiadas pelo trabalho de outras. Vivendo sobre o mesmo teto e sem responsabilidade nenhuma, dependendo do que os outros colocam na mesa.

Vejo comensalismo em todos os lugares e em todos os níveis das relações humanas, mas o destaque desta comparação é mesmo no meio político e empresarial. Nesse meio, podemos verificar que a personalidade das rêmoras pode ser comparada a de verdadeiros parasitas que se alimentam do corpo alheio, ficando gordas e satisfeitas.

A falta de determinação de procurar seu próprio espaço e condições de vida próprias levam algumas pessoas a se acomodarem sob o sucesso de outras e fazem de tudo para permanecerem onde se agarraram, mesmo que para isto tenham que sacrificar seu futuro e até o de seus familiares.

Eu nunca tinha visto nenhuma rêmora de jornalista e muito menos uma rêmora que desenvolveu a “síndrome do sabe tudo” (pessoas que têm o hábito de demonstrar que estão sempre certas e são donas da razão e que no fundo escondem inseguranças e medos). Este ano passei a conhecer muitas. É fácil identificar este tipo de rêmora. É só observamos seu vocabulário chulo, seu ódio, seu ciúme até a sua capacidade cognitiva restrita.

Temos visto nas redes sociais uma enorme quantidade de rêmoras que não criam nada e simplesmente vivem daquilo que os outros criam. Só criticam e querem que suas ideias e pensamentos se sobreponham de forma desagradável e arrogante.

Afastem as rêmoras que vivem com vocês, elas merecem nosso desprezo.


TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
ctzl@uol.com.br

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