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TADEU ZERBINI / Brasil, o país dos muros invisíveis

TADEU ZERBINI / Brasil, o país dos muros invisíveis
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Os brasileiros estão vivendo entre muros invisíveis. Sabem que estão separados por classes de gênero, religião, econômica, étnica e muitas outras. Em 2018 foi levantado o maior muro invisível do Brasil, dividindo a população entre a direita e a esquerda e não admitindo o centro. Para o governo atual, a esquerda é representada pelo PT, que estando do outro lado do muro, cooptou os comunistas, os corruptos e os que estão contra o Brasil. Quem tem opinião diferente dos governantes são considerados petistas e comunistas. Nas redes sociais, qualquer comentário contrário às políticas públicas dos mandatários brasileiros o cidadão é bombardeado pelas expressões “petista” e “comunista”. Não se pode pensar mais em um Brasil sem muros. É uma guerra fria.

No discurso da direita brasileira é comum as injúrias racistas, homofóbicas e machistas, que apoiadas por robôs virtuais multiplicam o ódio entre os brasileiros, estimulando a divisão da sociedade e a multiplicação de muros invisíveis. Os comentários irresponsáveis por parte dos defensores da extrema direita contra jornalistas, artistas, educadores e tantos outros demonstram que a nossa democracia, conquistada com sangue e lágrimas, corre um sério perigo de ser atropelada. Está ficando perigoso “pensar”.

O muro entre os pobres e os ricos é de alta tecnologia. Os pobres conseguem ver os ricos em suas casas, coberturas, restaurantes de luxo, passeando de carros importados e consumindo tudo que é de qualidade, mas os ricos não conseguem ver os pobres em seus casebres, nos hospitais, nos leitos de dor

TADEU ZERBINI É economista e consultor

O muro entre os pobres e os ricos é de alta tecnologia. Os pobres conseguem ver os ricos em suas casas, coberturas, restaurantes de luxo, passeando de carros importados e consumindo tudo que é de qualidade, mas os ricos não conseguem ver os pobres em seus casebres, nos hospitais, nos leitos de dor, no meio de esgoto que corre à céu aberto e muito menos nas escolas de péssima qualidade. O rico faz questão de não enxergar o sofrimento do pobre.

Um outro muro separa os funcionários públicos dos poderes legislativo e judiciário que recebem altíssimos salários, auxilio saúde, auxilio educação, auxilio alimentação, indenização de férias e outros penduricalhos dos desempregados e dos trabalhadores informais. Da mesma forma, este muro de alta tecnologia, não permite que esses funcionários públicos enxerguem os desempregados, mas permite que os desempregados acompanhem, diuturnamente, as extravagancias, que o dinheiro público proporciona.

Quando se fala na previsão da alta do PIB e nas privatizações quer dizer que os Estados das regiões sul e sudeste ficarão do lado do muro que terá aumento das riquezas e as outras regiões, que não serão contempladas com a evolução da economia, ficarão observando os ricos desfrutarem de mais luxos. As empresas que serão privatizadas estarão nas regiões mais pobres? Claro que não. Pelo modelo da economia neoliberal que está sendo implantada, os pobres ficarão mais pobres e os ricos mais ricos. Quem está do lado rico do muro não está preocupado em implantar políticas públicas destinadas aos menos favorecidos.

As desigualdades estão aumentando vertiginosamente e isto implica em mais crimes, prisões e mortes. Um muro virtual não será capaz de conter a violência e as demandas que se fazem presentes em nosso país.

Mesmo que os discursos motivacionais, estratégicos e autoritários estimulem milhões de brasileiros, principalmente os de classe média, milhões de outros brasileiros, aliás a maioria, não vão suportar aguardar as ditas reformas na economia para estimular o consumo e a geração de empregos.

Não adianta levantarem muros invisíveis. Se surgirem novos líderes capazes de aglutinarem essa massa de brasileiros que estão do lado pobre do muro invisível, podem ter certeza que em breve teremos problemas políticos sérios.

Não é possível que os Poderes Judiciário e Legislativo continuem a demonstrar ao povo brasileiro que seus contras-cheques são como bilhete de prêmio de loteria sorteado. Poucos recebem muito e muitos recebem pouco ou não recebem nada. Somos o país das desigualdades sociais, da irresponsabilidade ambiental e da passividade humana.

E o problema maior é que estão construindo um muro invisível entre o Brasil e o mundo. Que país é este que até um tempo atrás era chamado de país do futuro? Já passamos umas duas vezes o tal futuro e a coisa só fez piorar. Ninguém tem mais coragem para defender a distribuição de renda e a justiça social. O Brasil não é mais um laboratório para criar políticas públicas que dividem a população, ao contrário, precisamos nos unir para construirmos pontes perenes para alcançarmos o bem estar social.

Precisamos de novos líderes.

Ah! Ia esquecendo: o Estado deve continuar a ser “laico” e o “nazismo” deve ser varrido do planeta terra. 


TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
[email protected]


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