CLEBER TOLEDO
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Conselheiro do CFM critica ações do MPE sobre leitos ociosos por não observar capacitação de profissionais a serem convocados

A iniciativa do Ministério Público do Tocantins (MPE) de acionar a Justiça para garantir o funcionamento de leitos ociosos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Covid-19 no Hospital Geral de Palmas (HGP) e no Regional de Araguaína (HRA) foi alvo de crítica do membro tocantinense do Conselho Federal de Medicina (CFM), Estevam Rivello, que alerta para a falta de conhecimento técnico do órgão para realizar tal pleito.

Convocar médicos, mas com qual experiência?

O principal ponto questionado por Rivello é a forma como o MPE quer que os leitos operem em sua totalidade. Isto porque a ação civil pública cobra do Estado a convocação de profissionais da saúde que estão em regime estatutário ou cedidos a outros órgãos para realizarem o atendimento na ala de UTIs de Covid-19, mas sem especificar a qualificação destes médicos, que é o que preocupa o conselheiro.

Uma das piores medidas diante de uma pandemia

Estevam Rivello explica que os médicos que trabalham em terapia intensiva passam por uma formação e treinamento específico e por isto estão habilitados a trabalhar na área. O conselheiro diz que a ação soa como um pedido para um ortopedista realizar uma neurocirurgia. “O MPE adota uma das piores medidas que se pode ter diante de uma pandemia, que é forçar um profissional que não tem a devida experiência e habilitação às UTIs”, comenta.

Espanca a boa prática da medicina

O conselheiro federal segue com o questionamento. “É uma medida muito ineficiente, espanca a boa prática da medicina. É feita por uma pessoa que não entende o mínimo. Particularmente acho irresponsável descolar profissional que não tenha a devida capacitação para cumprir uma escala. É uma invasão que não deveria acontecer”, emenda.

Responsabilidade do Estado

Estevam Rivello cobra do Estado a solução do problema, defendendo que recursos chegaram para que as medidas fossem adotadas. “Existe a figura do leito, do insumo, mas não tem o profissional. É uma responsabilidade que o Estado deve adotar. Não adianta responder em nota que está fazendo tudo. Chegou dinheiro, mas não está contratando em quantidade suficiente”, afirma. O conselheiro também alia a baixa contratação de médicos capacitados com a baixa remuneração oferecida pelo governo – R$ 8 mil – e a falta de estrutura, já que a razão de 10 leitos por um profissional não está sendo respeitado no Tocantins.


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