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Dianópolis reverencia seus mártires

Dianópolis reverencia seus mártires
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A cidade de Dianópolis, antigo arraial de São José do Duro,  surgiu em 1750 e sua origem está vinculada aos aldeamentos indígenas e ao ciclo do ouro. Em 26 de agosto de 1884 é emancipada politicamente, sendo  João Nepomuceno de Souza seu primeiro prefeito e considerado seu fundador.

Agora, neste mês de janeiro de 2019, mais exatamente no dia 16, o 'Barulho do Duro' completará 100 anos. O projeto do centenário foi lançado e a comunidade foi motivada e está engajada no sentido de se reverenciar aqueles nove mártires e de consequências todas as famílias

JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA É poeta, escritor e advogado

Em 1919 a Vila foi palco de uma passagem lamentável da sua história, episódio conhecido como o “Barulho do Duro”, “Chacina dos Nove” e ou “Quinta-feira sangrenta”. Episódio narrado, dentre outros livros, em O Tronco, do escritor goiano Bernardo Elis, e no Quinta-feira sangrenta, do escritor e historiador dianopolino Professor Osvaldo Póvoa, com certeza o mais autêntico documentário sobre os fatos ocorridos.

As nove vítimas mortas no tronco (uma espécie de instrumento de torturas), foram enterradas no local onde se ergueu a conhecida “Capelinha dos Nove”. Em 1938 a Vila é elevada à categoria de cidade, ano em que  recebeu o nome de Dianópolis, em homenagem às Custodianas (Dianas) do lugar.

Agora, neste mês de janeiro de 2019, mais exatamente no dia 16, o “Barulho do Duro” completará 100 anos. O projeto do centenário foi lançado e a comunidade foi motivada e está engajada no sentido de se reverenciar aqueles nove mártires e de consequências todas as famílias, incentivando a pesquisa, a leitura e estudo, o debate sadio, para que todos possam conhecer, resgatar e reescrever novas páginas  da Terra das Dianas.

Cem anos já se passaram… do passado ao  presente, do ontem, do amanhã, do trilhar de caminhos, tem hoje o domínio da palavra, ELA, protagonista, personagem principal, sua Excelência a HISTÓRIA!

Uma extensa programação será cumprida, do dia 16  a 19, passando por momento cívico, missa do abraço, posse de novos membros da Academia de Letras, da qual tenho a honra de ser titular da cadeira nº 12, momento cultural, alvorada com instrumentos e vozes das músicas cantadas pelos nossos antepassados e até hoje lembradas e conhecidas pelos contemporâneos, saraus literário e musical, noite de autógrafos, passeio turístico, encerrando com um passeio ciclístico com a saída na Capelinha dos Nove.

Através do Portal CT, o mais lido do nosso querido Estado do Tocantins, que sempre prestigiou nossa terra, não poderia deixar de cumprimentar a todos os organizadores, nas pessoas de Juçara e Francisco Liberato, por tão relevante homenagem às memórias dos nossos antepassados e mais, ainda, das famílias descendentes daquelas vítimas, pela forma com que, durante todo tempo, procuraram apagar da memória de cada filho ou descendente, qualquer resquício de mágoas ou rancores.

E assim se fez e faz a minha terra natal, lugar onde aprendi a amar flores e manhãs de primavera na ingenuidade de criança e que se fez guarida dos meus sonhos e arroubos de adolescência. Não foi por acaso que um dia escrevi ao final de um poema, que minha pequena cidade havia um córrego que se tornou a divisa da minha terra com o resto do mundo. Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!


JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA 
Poeta, escritor e advogado. Membro fundador da Academia de Letras de Dianópolis (GO/TO)
jc.povoa@uol.com.br


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