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NILMAR RUIZ / Falando com mulher…

NILMAR RUIZ / Falando com mulher…
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Voltei a trabalhar de forma específica com as mulheres! Depois de mais de cinco anos longe do movimento de mulheres de partidos políticos retorno, à convite do Partido Liberal, a falar com Elas.

Alegria pura! Estou juntando a minha experiência política, o que aprendi na minha vida pública, como a primeira Procuradora da Mulher da Câmara dos Deputados e Presidente Nacional dos movimentos femininos de três partidos políticos, inclusive do PL, com a Auto Reprogramação-ARH- metodologia de desenvolvimento humano, que venho compartilhando com pessoas de diversos segmentos, que buscam sucesso na vida pessoal e profissional.

Além de receber menores salários, as mulheres ocupam menos de 38% dos cargos de chefia e de comando. Por quê? Será que tem menos capacidade de gestão? Menos habilidade de liderar pessoas? A vida nos mostra o contrário

NILMAR RUIZ É escritora e palestrante

Então, resolvi trazer para você algumas reflexões, que venho fazendo há muito tempo e que me dão a certeza que: SÓ TEREMOS UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E MAIS FRATERNA, QUANDO MULHERES E HOMENS COMPARTILHAREM, EM IGUAL NÚMERO, O PODER E AS DECISÕES DO PAÍS.

Vamos lá!

Pesquisas recentes do IBGE, apontam que  as mulheres ganham menos 20% que os homens, exercendo a mesma função e trabalhando o mesmo número de horas. É justo? As mulheres permanecem mais tempo nas escolas, estão em maior número nas universidades e são mais aprovadas nos concursos públicos. As pesquisas mostram, também, que a população considera que as mulheres se empenham mais no que fazem, tem maior credibilidade e são mais honestas. Então, por que essa discrepância salarial?

Além de receber menores salários, as mulheres ocupam menos de 38% dos cargos de chefia e de comando. Por quê? Será que tem menos capacidade de gestão? Menos habilidade de liderar pessoas? A vida nos mostra o contrário. A mulher, na grande maioria,  administra a casa e a família. Planeja, executa, soluciona problemas, elabora estratégias, divide tarefas, concilia pessoas… E, desde a revolução industrial, quando passou, também, a participar ativamente do setor produtivo, vem mostrando a sua competência no mercado de trabalho. O que explica, ainda hoje, está em menor número nas instâncias de poder e decisão?

Mas no que se refere aos cargos eletivos e na política, a desigualdade entre homens e mulheres ainda é mais aviltante. Dos 81 senadores, apenas 7 são mulheres, dos 513 deputados, somente 77 cadeiras são ocupadas por mulheres, e isso porque na última eleição praticamente dobrou o número de mulheres na Câmara dos Deputados. No Brasil há apenas 1 mulher governadora e também, são poucas as prefeitas. Em todas as instâncias, no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores, as mulheres representam menos de 15%. Agora veja que contrassenso: mais de 50% da população e mais de 50% dos eleitores são mulheres, mas quem elaboram e votam as leis que regem todo o país são os homens, quem administra a grande maioria dos entes federados são os homens, quem executam as políticas públicas que são responsáveis pela qualidade de vida das pessoas são os homens.

Será que os homens se sensibilizam com o grande número de mulheres que morrem de câncer de mama ou de útero? Que se preocupam com o número de mamógrafos nas cidades? Com a necessidade de se ter uma política de saúde que atenda às necessidades das mulheres? Será que a dor do homem é igual a de uma mãe que fica horas sendo submetida à tentativa de um parto normal, para só então, quando ela não aguenta mais ou a criança está em sofrimento, seja autorizada uma cesariana? Será que um homem sofre igual a uma mulher, quando perde seu filho por falta de atendimento? Será que o sofrimento de um homem ao ver uma mulher espancada, violentada e muitas vezes morta por um outro homem, é igual a de uma mulher, que se coloca no lugar da outra e grita por providências? Com certeza, cada um tem seu ponto de vista e sua forma diferenciada de ver e entender as coisas a sua volta. 

Talvez a raiz  das grandes injustiças sociais que, ainda hoje, fazem com que a mulher seja tão vitimada, seja, justamente, a pouca participação nas instância de poder e decisão. É inadmissível, que nesse mundo globalizado em que vivemos, onde o acesso à informação é on-line e irrestrito, onde o avanço tecnológico transforma os hábitos e costumes numa rapidez impressionante, as mulheres ainda sejam minoria e dependam da vontade e da decisão dos homens, para realizarem seus  sonhos e projetos! 

Que mundo queremos para nós, o que sonhamos para as nossas filhas e para as nossas netas?

Que as mudanças precisam acontecer, todos nós concordamos! Que precisamos de soluções que venham aplacar as necessidades e os anseios das brasileiras e brasileiros ninguém duvida! Que quereremos uma vida melhor, mais digna e mais fraterna para todos, é desejo coletivo! Que precisamos de uma política mais ética e com foco no bem comum, também não é novidade! Porém, só com a participação ativa das mulheres, vamos evoluir nesse sentido.

Michele Bacheleht, que foi por duas vezes presidente do Chile, nos ensina:

“Se uma mulher entra na política, muda a mulher, se muitas mulheres entram na política, muda a política”.

E quando muda a política, evoluímos em todos os sentidos, pois é a política que traça os destinos de uma nação.

Que Deus ilumine cada uma, e cada um de nós nessa missão de irradiar alegria, de aumentar a esperança, de vencer os obstáculos, de perseverar nos objetivos e sonhos e de fortalecer a união. Que possamos  transformar, influenciar e inspirar pessoas e juntos contribuir para um mundo melhor para todos! 

Se mulheres e homens mudam, as instituições mudam e o mundo muda  à nossa volta!


NILMAR GAVINO RUIZ
É professora, ex-secretária da educação, ex-prefeita de Palmas e ex-deputada federal. É co-autora da ARH – Auto Reprogramação Humana –  e palestrante.
[email protected]


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