Nessa quarta-feira, 18 de março de 2026, o Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins (SIMED-TO) celebrou 37 anos de uma trajetória marcada pela coragem e resistência. Fundado em 1989, no berço histórico de Porto Nacional, a entidade nasceu da união de profissionais pioneiros que buscavam organizar a categoria em um estado recém-criado e carente de infraestrutura, a partir de uma prática de medicina voltada para a comunidade.
Ao longo de quase quatro décadas, o sindicato consolidou-se como o principal defensor dos direitos médicos e da qualidade na saúde pública tocantinense e brasileira, dada sua articulação com entidades do movimento médico nacional, inclusive ocupando postos chaves na federação médica.
A mais recente e uma das mais emblemáticas vitórias recentes ocorreu em 2025, com a aprovação da PEC do Teto Único pela Assembleia Legislativa. Graças à articulação liderada pelo SIMED-TO, e demais entidades, o texto final eliminou o escalonamento proposto originalmente, garantindo 100% do novo valor em abril de 2026. Essa conquista histórica corrigiu uma distorção salarial que durava desde 2011, devolvendo a dignidade financeira a médicos que dedicaram suas vidas ao serviço público.
É válido lembrar que a trajetória do sindicato também é marcada pela luta incansável pela isonomia salarial, iniciada ainda nas primeiras gestões da entidade, na equiparação dos vencimentos estaduais em batalha que definiu o padrão de remuneração para a categoria. Além disso, a atuação sindical garantiu a aprovação e implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Subsídios (PCCS) em 2005.
No campo institucional, a ampliação e modernização da sede própria em Palmas, a ser concluída nesta gestão, representa um marco de solidez e cumpre sua finalidade pública em uma área ampla, para atividades sindicais e coletivas. Esse legado físico é fruto de um esforço contínuo de gestões que priorizaram a estruturação da representação médica na capital.
Outra conquista administrativa relevante foi o reconhecimento dos vínculos de trabalho médicos de forma isolada para fins de redutor constitucional. Essa medida administrativa, provocada pelo sindicato, impediu que o sucesso na carreira médica resultasse em prejuízos financeiros indevidos para os profissionais com duplo vínculo.
A defesa contra a precarização e a terceirização desenfreada dos hospitais públicos também tem sido uma pauta constante e rigorosa do sindicato. A entidade ajuizou diversas ações civis e apresentou denúncias que resultaram na rescisão de contratos irregulares de terceirização fracassadas. O SIMED-TO segue propondo demandas judiciais para reaver valores descontados injustamente no passado. Essa vigilância protege não apenas os vínculos trabalhistas dos médicos, mas assegura a transparência na aplicação dos recursos públicos.
O fortalecimento da voz feminina no movimento médico teve seu auge com a eleição da primeira presidente mulher do sindicato, minha antecessora, Janice Painkow. Sua gestão modernizou a entidade e também criou honrarias para as pioneiras da medicina tocantinense. Essa representatividade consolidou o SIMED-TO como uma instituição plural e respeitada no país.
Durante a pandemia de Covid-19, o SIMED-TO demonstrou sua importância vital ao atuar em uma verdadeira “operação de guerra”. A entidade adquiriu e distribuiu equipamentos de proteção individual (EPIs) essenciais quando o Estado enfrentava desabastecimento crítico. A ação garantiu a segurança de médicos e médicas na linha de frente em cidades como Araguaína, Gurupi e Palmas e salvou a vida de profissionais.
A modernização da formação médica foi impulsionada pela oferta regular do Curso de Atualização em Urgências e Emergências Médicas. Há três anos, o curso adaptou-se às tecnologias digitais, alcançando médicos em regiões isoladas como o Bico do Papagaio. Essa iniciativa reflete o compromisso do sindicato com a qualificação contínua, necessária para a progressão funcional na carreira e melhor atendimento.
Aos 37 anos, o SIMED-TO reafirma que a medicina tocantinense não se faz apenas com bisturis, mas com política ativa e dignidade profissional. A história da entidade confunde-se com a do próprio estado, por ter se tornado um pilar fundamental para um sistema de saúde justo. O sindicato permanece vigilante, provando que a união da categoria é a única garantia contra as injustiças e retrocessos.
REGINALDO ABDALLA ROSA
É médico formado pela PUC Campinas, onde também estudou ortopedia e traumatologia. É especialista em cirurgia de Coluna pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).
















