A violência, em suas múltiplas faces, jamais é sinal de força verdadeira. Ela revela derrota — não só daquele que a emprega, mas também daquele que a tolera, daquele que assiste indiferente de longe, e daquele que a naturaliza como se fosse uma ‘necessidade’ para garantir ordem.
Essa constatação deve ecoar para além das palavras: a verdadeira força reside na reflexão profunda, na coragem de questionar, na ousadia de contestar, e no compromisso de buscar justiça não pelo grito de punição, mas pela serenidade do argumento.
No Rio de Janeiro, cenário paradoxo onde a esperança e a dor coexistem, essa luta é diária. A cidade carrega marcas dolorosas, cicatrizes abertas que contam histórias de sofrimento. Entretanto, carrega também uma resistência singular, pulsante e criativa.
É nesses espaços de fragilidade que emergem as vozes que traduzem a dor em poesia, em arte, em solidariedade concreta e em políticas públicas que defendem, acima de tudo, a dignidade humana. Cada voz que rompe o silêncio convida a uma vitória discreta, porém fundamental. Cada gesto pacífico — uma palavra gentil entre vizinhos, uma reunião comunitária, uma manifestação pacífica — tece, com fios delicados, o tecido social que desejamos conservar e fortalecer.
A cidade deve ser palco de convivência e aprendizado, espaço para a memória crítica que não estagna no passado, mas que impulsiona para um futuro carregado de esperança. Por isso, ao olhar a frase que nos confronta “A violência é derrota”, convido a todos a pensarem no lugar da não-violência como princípio e prática. Que o Rio não se entregue ao silêncio da opressão, nem ao ruído destrutivo do medo. Que a violência não encontre espaço nas ruas, nas casas, nem nos corações.
Que cada cidadão se reconheça como parte imprescindível na construção de uma cidade justa — onde a cidadania é celebrada, a convivência cultivada e a justiça social concretizada.Este é um convite para que transformemos a cidade, para que alcancemos juntos uma sociedade onde a justiça se faz pela palavra, o respeito e a solidariedade, não pela força imposta.
Que o Rio de Janeiro — entre memória e sonho — siga sendo a casa da resistência, da criatividade e da esperança.
JOÃO PORTELINHA DA SILVA
É professor titular da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e pós-doutorado pela Universidade de Coimbra.















