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BRENDON HUSLEY RIMUALDO / A desobediência civil hoje é ficar em casa

Desde os tempos imemoriais pandemias fazem parte da vida humana. E nós temos que aprender a duras penas a conviver com isso, a fazer reflexão do passado para entender o presente. Acreditar na ciência humanas, biológicas, matemáticas, é o conhecimento epistemológico que hoje que nos faz viver. Hoje acreditar nisso tornou-se um ato glorioso, e humano. Tenho dito que viver é um ato de extrema coragem.

Tucídides narra epidemia na Guerra de Peloponeso como algo imprevisto e terrível que ocorrera em Atenas a peste de 430 a 429, qual foi à estratégia dos governantes naquele momento? Foi proteger a população e seus pertences atrás das grandes muralhas, concentrando-as em um espaço urbano de sua época, sem condições higiênicas a provocou um quarto da população ateniense, inclusive Péricles, o imperador.

O que vemos hoje é um obscurantismo no Brasil, a negação da ciência. É a bílis, a naturalização da morte pelo próprio Estado, misturado com um discurso que se diz liberalismo, mas que, na verdade, não passa de um sono dogmático irreal, ou um acidente vascular cerebral de narrativas intelectuais mofadas

BRENDON HUSLEY RIMUALDO

A Varíola atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos. Desde Ramsés II, passando por Maria II até o Luís XV, conhecido como o Bem Amado, todos eles temiam a doença, que era transmitida de pessoa para pessoa por vias respiratórias; febre, e seguira de erupções na garganta e depois no corpo todo. A varíola foi erradicada ontem na segunda metade do século XX em 1980 após uma campanha de vacinação que mobilizou não apenas o Ocidente, mas todo o globo terrestre.

Em meio todos esses séculos tivemos a epidemia mais conhecida no mundo, a Peste Bubônica ou conhecida domo a Peste Negra, tendo seu inicio em 1347 e 1720 (período válido a contestação visto que em outros lugares a mesma foi utilizada até guerra biológica já pelos muçulmanos) seus sintoma eram: febre, calafrios, dores de cabeça, fadiga e dores no corpo todo, incluindo inchaços dos gânglios enfáticos, virilha, axila ou/e no pescoço.

Daniel Defoe, um testemunho (in)direto—tinha seis anos quando tudo começou—e faz um belíssimo livro jornalístico intitulado Um diário do Ano da Peste, em que mescla sua memória e de outras pessoas, mesclando com dados oficiais em que tinha óbito, e todo um cotidiano de Londres já tomada pela peste negra, com tantas mortes ele narra a medida tomada pelos representantes políticos: “Este fechamento de casa, pelo que sei, foi adotado pela primeira vez como um método de contenção da peste em 1603 com a chegada de James I ao trono”. (DEFOE, 1987. p. 51), os hospitais já estavam superlotados, outras pessoas foram resgatadas para serem levada a instituição morriam no meio da trajetória. (DEFOE, 1987. p. 51). O surgimento de charlatões com suposto remédios que traziam cura o resultado não foi outro, muitas pessoas morreriam toxicadas.

No início do decreto muitos criticavam, sendo um método cruel e anticristão “os pobres assim confinado lamentavam-se amargamente” (DEFOE, 1987. p. 59), neste decreto, o medo—ligado a religiosidade, quiçá diferente do de hoje— também era outra característica muito forte—como hoje—de morrer em decorrência da pandemia, pessoas andavam longe uma das outras para evitar a doença. As pessoas vivam com o medo corriqueiramente, o medo da fome, impostos, doenças, guerras, da morte e do inferno. (RICHARDS, 1993, p. 82).

Nesta mesma senda surge a Gripe Espanhola em 1918, estima-se que a mesma matou cerca de 40 milhões a 50 milhões de pessoas. Mais de um quarto da população na época foi infectado, até no Brasil, o presidente em exercício, Rodrigues Alves faleceu em decorrência da mesma um ano depois da doença ganhar o imaginário cientifico e social. Há relatos que o vírus veio da Europa através de navios entre eles Demerra que ficou em Recife, Salvador BA e Rio de Janeiro.

Segundo o relato médico da época, os sintomas eram febre, tosse seca, dores no corpo, garganta inflamada, dores de cabeça, os mesmos sintomas da atual Covid-19, mas não existia cura. Um detalhe: em São Paulo, as pessoas foram atrás de remédios caseiros, misturando cachaça com mel e limão, surgindo assim a caipirinha, segundo o Instituto Brasileiro de Cachaça.

Jean Delumeau em seu formidável livro A História do Medo no Ocidente (1978) narra esse medo, o desespero, o medo da noite e seus demônios, os devaneios dos fantasmas, e principalmente o medo da peste, da doença e o pânico coletivo (DELUMEAU, 2009, p. 154). Conclui o e livro argumentando que apesar de todas as pandemias, medos e devaneios, o mundo não melhorou.—e talvez nunca vai— .

O que podemos trazer para nossa realidade global e para nosso país com essa República sofrida?

Penso: a vida anda próxima da morte, somos sujeitos a morte desde o momento da ejaculação no ato sexual. Temos um relógio biológico programado para morrer em seu momento certo, mas ninguém aceita. Como diz Edgar Morin em seu célebre livro O Homem no Ocidente (1951), todo homem diante da morte é uma criança em desespero. Vírus mortais, catástrofes naturais sempre vão existir, mas relutemos, por que temos amor pela vida, para isso, temos uma aliada inseparável hoje do homem a CIÊNCIA, essa ferramenta importante sempre foi perseguida, silenciada e mal investida. Nunca se falou tão mal dela como também nunca se precisou tanto dela.

O Estado brasileiro e seus representantes não dão muito ouvidos a ela, cortam bolsas de pesquisas, não sabem o que fazer. Sou suspeito em dizer, mas em nenhuma literatura econômica e jurídica põe o Estado como superior a vida. Nem mesmo a corrente que está em vigor pelos mandarins da Republica o Liberalismo, Lynn Hunt em A Invenção dos Direitos Humanos (2007) representa a trajetória histórica e filosófica dos Direito Humanos, o neopositivismo ou o Jusnaturalismo que olha a vida antes da formação do Estado oriunda da burguesia, dos liberais do Iluminismo.

Ouso dizer que a vida antecede o Estado e o procede também, pois antes da sua formação a vida já existia e mesmo após sua queda o a vida também deverás a continuar. A VIDA TEM QUE SER DEFENDIDA AINDA QUE NÃO SE TENHA ESCRITO.

O que vemos hoje é um obscurantismo no Brasil, a negação da ciência. É a bílis, a naturalização da morte pelo próprio Estado, misturado com um discurso que se diz liberalismo, mas que na verdade não passa de um sono dogmático (KANT. 1724) irreal, ou um acidente vascular cerebral de narrativas intelectuais mofadas. Em que a privatização seria a saída para todos os males sociais. Vimos que redes privadas estão superlotadas em colapso, e também a rede pública aos pandarecos. Exemplo disso é o primeiro ministro da Inglaterra Boris Johnson (de direita e conservador) defender o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE PÚBLICO que o salvou.

O que é preciso fazer? O imperador Romano Júlio Cesar já dizia: divide et impera (Dividir para conquistar), ou melhor, para hoje é conversar, dialogar, ceder e exigir. Isso é a arte da política.

Como muito bem colocou no debate político na Globo News, o ex-ministro Ciro Gomes, esse vírus não tem ideologia, ele mata quem é de direita, esquerda, rico ou pobre. É preciso ficar do lado da ciência.

O Brasil hoje é um dos quadros, infelizmente, mais perfeito para a propagação do vírus. É o país mais desigual do mundo, o segundo mais ignorante do globo. 55% do país hoje não têm saneamento básico e 80% dela não tem acesso ao mesmo. Temos uma paupérrima redistribuição de renda. Nas comunidades brasileiras o Estado é ausente de tudo, chegamos um ponto em que o crime organizado tem sido mais eficiente.

A saída todo mundo já sabe, estamos de língua calejada de falar, e de ouvidos cansados de ouvir: é melhorar o investimento de saúde, segurança, sanar a fala de saneamento básico e um avassalador investimento na educação, ciência, desenvolvimento tecnológico e trabalhista.

A reflexão que faço hoje para os meus conterrâneos do Estado do Tocantins é: cite-me quais as cidades tirando Palmas e Araguaína com leitos de UTI para tentar salvar vidas? Não temos então a única saída no momento é FICAR EM CASA até que se acha uma saída, cura. Buscar informações em sites de confiança, pois o mundo hoje está cheio de Fake News e as mesmas hoje estão matando assim como a Covid-19. Exigir do Estado um direito que é nosso, um auxilio que possa nos ajudar no mínimo alimentação.


BRENDON HUSLEY RIMUALDO
É formado em História e estudante de mestrado na UFT no campus de Araguaína-TO.
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