Entre as muitas figuras que iluminam a tradição cristã, poucas são tão discretas e, ao mesmo tempo, tão grandiosas quanto São José, que no próximo dia 19 estaremos celebrando o dia em sua homenagem.
São José é Aquele que não deixou discursos escritos, não protagonizou grandes sermões e tampouco buscou glória. Ainda assim, sua presença atravessa os séculos como a de um homem simples que dignificou o trabalho, o silêncio e a responsabilidade.
Sabemos, pela tradição, que José era carpinteiro, um trabalhador de mãos firmes e coração humilde. Em sua oficina, entre tábuas e ferramentas, moldava não apenas madeira, mas também a própria vida com paciência e fé. Foi nesse cotidiano simples que Deus lhe confiou uma das maiores missões da história: cuidar de Jesus Cristo e proteger Maria.
Não é por acaso que ele se tornou o padroeiro dos trabalhadores. Em cada ferramenta de uma marcenaria, em cada suor que cai sobre a terra nascido do esforço de um trabalhador, existe algo do espírito de José, o retrato da dignidade do esforço honesto. O trabalho em suas mãos deixou de ser apenas sustento e tornou-se vocação.
Em meu caso há ainda um laço mais íntimo e silencioso: Carrego no meu próprio nome uma homenagem a esse Santo operário. Como se desde o início da vida a memória desse homem justo estivesse inscrita não apenas na fé, mas também na minha identidade. É uma herança invisível, porém profunda, como um conselho permanente de humildade, perseverança e confiança.
E há ainda outro detalhe que torna essa devoção ainda mais especial: Tocantins, meu estado natal, tem em São José seu padroeiro. E também minha cidade natal, Dianópolis, antigo Norte de Goiás, hoje Sudeste do novo Estado, onde passei minha infância e adolescência que guarda em sua história esse nome e a proteção eterna como seu padroeiro. Como se o santo carpinteiro estivesse presente desde o lugar onde comecei a caminhar pelo mundo.
Talvez por isso, quando pensamos em São José, não imaginamos palácios nem tronos. Pensamos em uma oficina simples, em mãos calejadas, em um homem justo que fez do silêncio uma forma de sabedoria.
E, assim, ele permanece não como um herói de palavras, mas como um guardião silencioso das famílias, do trabalho e da esperança. Alguém que, sem buscar destaque, continua sustentando com sua humildade a dignidade de todos os que vivem do próprio esforço. Fica aqui nossa homenagem ao meu xará, que antes de tudo se tornou o nosso protetor e padroeiro.
“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
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