O Ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Civil de Minas Gerais adapte o teste físico de salto horizontal, no qual o candidato Matheus Menezes Matos foi reprovado. É preciso deixar claro que a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) — Lei n.º 13.146/2015 — é o principal marco legal no Brasil, sancionada em 2015, para garantir direitos, autonomia e inclusão social de pessoas com deficiência. Ela combate a discriminação, exige acessibilidade e assegura igualdade de oportunidades em áreas como educação, trabalho, saúde e tecnologia, porque não precisamos de igualdade, precisamos de EQUIDADE.
Será que o problema do Matheus é a deficiência? Ou será que muitos não irão admitir que ele foi melhor que muita gente que fez a prova? Formado em direito há 25 anos, passou em todas as etapas do dificílimo concurso da Polícia Civil de Minas Gerais,exceto o TAF (Teste de aptidão física).
A sociedade não consegue nos enxergar como uma pessoa comum. É sempre o coitado ou o herói e quando queremos ocupar um cargo de autoridade ou de chefia o preconceito aparece sem disfarce. Está aí o fato de quase não vermos pessoas com deficiência em cargo de destaque. Essa violência explícita feita pelo estado só nos atrapalha.
A desumanização das minorias me faz lembrar muito a filósofa alemã Hannah Arendt (1906 a 1975), que defendia a liberdade política, a pluralidade humana e o pensamento crítico no espaço público, e criou o conceito de “banalidade do mal”. Nesse caso, o capacitismo operou nitidamente, porque vimos piadas de mau gosto, pessoas xingando-o e um constrangimento sem tamanho. Esquecem do prédio sem rampa, do concurso com critério físico que só comporta um padrão, as empresas que só nos contratam porque são obrigadas, no serviço público só entramos porque fazemos os concursos que eles querem, contratos quase não existem pra nós.
Todo mundo acha que policiais civis são todos operacionais. Na prática não é assim. Até quem possui vigor físico nem participa de operação porque não quer. Nem todo delegado vai para operação ou vai pra rua. Polícia não é só chutar porta e prender, mas é principalmente trabalho de inteligência. Há espaço para todos, de acordo com sua afinidade. Deixa o operacional para quem quer ir. Na prática é assim que funciona. Então não faz sentido perder pessoas com capacidade intelectual por motivo físico, sendo que nem todos vão pra rua prender gente. Aliás, quem acha que delegado precisa algemar, chutar porta, “extrair informações” à moda antiga deve se atualizar. O serviço deles é mais administrativo. A PM está mais na rua do que a civil.
Queremos um país em que as oportunidades sejam para todo mundo… E as oportunidades que lutem para ser inclusivas, adaptáveis e socialmente qualificadas.
E, por fim, parabéns para o Matheus! Certamente contribuirá muito para a PCMG.
Em tempo: começo o texto dizendo a palavra ” Anão” somente para chamar atenção e não como ofensa ou termo pejorativo.
AGNALDO QUINTINO
É administrador, empreendedor educacional, palestrante, gago, surdo e feliz
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