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O Coronavírus e o coração, quais os envolvimentos cardíacos e o que você precisa saber

O Coronavírus e o coração, quais os envolvimentos cardíacos e o que você precisa saber
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A Pandemia de coronavírus está tendo um impacto mundial fortíssimo em todos os aspectos. Há uma grande comoção em países onde a doença está causando muitas mortes e uma certa negligência por parte da população de países ainda sem grandes acometimentos.

O que nós já aprendemos com a experiência dos outros países é que um público em especial sofre mais com a infecção do que outros como no caso de idosos, hipertensos, diabéticos e cardiopatas.

A infecção pelo Covid 19 tem implicações importantes nos pacientes cardiopatas devido a três tópicos que serão detalhados a seguir:

Primeiro ponto: Os pacientes cardiopatas têm mortalidade relacionada a infecção muito maior do a população em geral.  De forma global, a mortalidade relacionada a infecção pelo COVID 19 é de aproximadamente 3%, mas esses números tornam-se muito maiores quando analisamos em separado. Os pacientes cardiopatas que tem uma mortalidade de 10,5%, diabéticos 7,3% e os hipertensos tem 6% (dados da população chinesa ) desta forma, maiores cuidados deverão ser tomados afim de evitar o contágio nesse público e a circulação deverá ser evitada a todo custo. Por se tratar de uma população mais delicada e polimedicada a assistência médica ambulatorial deverá estar disponível para os que realmente precisam.

Segundo ponto: O vírus pode atacar diretamente o sistema cardiovascular causando miocardite, que é uma inflamação no músculo cardíaco que pode levar a redução importante da capacidade do coração bombear o sangue, e por vezes, levar a fadiga completa do miocárdio e morte. Pode haver também injúria miocárdica, com morte de algumas células do músculo cardíaco, que pode ser detectado com um exame de sangue simples existente na imensa maioria dos hospitais.

Há relatos de infarto agudo do miocárdio relacionado a infecção pelo COVID 19 e há descrição também de arritmias e tromboembolismo pulmonar. Desta forma, essa população não pode ficar desassistida pelos cardiologistas pois algumas implicações do vírus são diretamente relacionadas ao coração.

Terceiro ponto: Os medicamentos em teste para a doença têm interações e efeitos cardiovasculares, vários cientistas do mundo todo tem se empenhado para achar a cura da doença assim como uma possível vacina. Muito cuidado tem que ser tomado nesse particular, pois algumas drogas relacionadas a possível terapêutica podem ter implicações cardiológicas. Como por exemplo é o caso da Cloroquina, que pode causar miocardiopatia grave além de interagir com remédios frequentemente usados por pacientes cardiopatas como Metoprolol, Carvedilol e Propranolol.

O Remdesivir usado no Ebola tem efeito cardiotóxico e pode dar hipotensão ( pressão baixa).

O Lopiravir e Ritonavir interagem com remédios para redução do colesterol, amplamente utilizados por cardiopatas, e remédios usados após a angioplastia com stent o que pode gerar problemas graves.

Os Inibidores de BRA como a Losartana e os inibidores de IECA como o Captopril e  Enalapril  ficaram em evidência devido a uma possível piora da patogenicidade viral, mas ainda sem comprovação clínica, sendo a suspensão inadvertida mais deletéria do que a manutenção, obrigando que diversas sociedades de cardiologia ao redor do mundo,  incluindo a brasileira, se manifestassem para que os pacientes em uso dessas medicações não suspendam o uso sem adequada orientação.

Outros vários exemplos poderiam ser citados, porém o recado principal é “ não tome nenhuma atitude sem consultar o médico “ não se deixe levar por informações diversas que chegam aos montes sem a devida análise científica. Iniciar ou suspender medicações sem a correta indicação poderá colocá-los em risco.

O Covid 19 é uma pandemia e ainda parece longe do fim, todos temos nosso papel na prevenção do contágio deste mal e os pacientes cardiopatas merecem especial atenção. Nesse momento não podendo sofrer com desassistência, mas por outro lado, não pode haver exposição desnecessária ao risco. Muito bom senso deverá ser aplicado e a visita ao médico poderá e deverá ser feita em casos de real necessidade.

 

Dr. Bernardo Kremer

Médico Cardiologista na Clínica Cardioplaza

Cardiologista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia

Cardiologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

Membro da Sociedade Brasileira de cardiologia intervencionista e hemodinâmica

Mestre em cardiologia pela Universidade Federal Fluminense

Membro da Society for Cardiovascular Angiography and interventions EUA (SCAI)

Faculty do Transcatether Cardiovascular Theraputics EUA (TCTMD)

@clinicacardioplaza instagram


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